A Federação Única dos Petroleiros criticou a alta recente do diesel no Brasil e afirmou que há aumentos abusivos ao longo da cadeia de distribuição. Segundo a entidade, fatores como privatizações e dependência externa contribuem para a escalada dos preços.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) voltou a criticar o aumento do preço do diesel no país e atribuiu a alta a “distorções estruturais” e margens consideradas abusivas no setor de combustíveis.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (18), a entidade afirmou que o problema vai além do preço nas refinarias e envolve toda a cadeia de distribuição.
Críticas à distribuição e privatização
Para a FUP, a privatização da antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, reduziu o controle público sobre os preços finais ao consumidor.
Segundo a diretora da entidade, Cibele Vieira, mesmo com esforços da Petrobras para equilibrar valores nas refinarias, não há controle sobre os preços praticados nos postos.
“Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirmou.
Alta nas bombas
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do diesel S-10 subiu cerca de 12% em apenas uma semana de março, passando de R$ 6,15 para R$ 6,89 por litro.
A entidade também destacou que o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido, o que aumenta a exposição às variações internacionais.
Pressão externa
O cenário global também influencia diretamente os preços. O barril do petróleo tipo Brent teve forte valorização nas últimas semanas, impulsionado por tensões no Oriente Médio, incluindo conflitos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
Além disso, a possibilidade de impacto no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, aumenta a preocupação com a oferta global.
Medidas do governo
A FUP reconheceu medidas adotadas pelo governo federal, como a zeragem de tributos federais (PIS/Cofins) e a criação de subsídios ao diesel.
Também está em discussão a proposta para que estados zerem o ICMS sobre o diesel importado, como forma de conter os preços.
Efeito na economia
De acordo com o coordenador da entidade, Deyvid Bacelar, o aumento do diesel tem impacto direto em toda a economia.
“Quando o diesel sobe, encarece o transporte, os alimentos e pressiona a inflação”, afirmou.
A entidade alerta que, sem mudanças estruturais, os aumentos tendem a continuar sendo repassados ao consumidor final.
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