A PM Gisele Alves Santana relatou medo e controle por parte do marido antes de morrer. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso e virou réu por feminicídio e fraude processual, após investigação descartar a hipótese de suicídio.
A policial militar Gisele Alves Santana relatou a colegas que vivia sob constante pressão dentro do relacionamento com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Segundo os depoimentos, ela dizia se sentir “sufocada e controlada” pelo oficial, descrito como extremamente ciumento.
Dias antes de morrer, Gisele chegou a questionar uma amiga se o marido “teria coragem de matá-la”. Em conversas com colegas de trabalho, também teria afirmado que vivia uma situação limite. “Ou ele me mata, ou eu mato ele para me proteger”, disse, segundo relatos reunidos na investigação.
Comportamento abusivo e vigilância constante
Testemunhas ouvidas pela polícia detalharam um padrão de comportamento possessivo. O oficial, segundo os relatos, buscava trabalhar nos mesmos turnos da esposa para monitorá-la e, em diversas ocasiões, a colocava como auxiliar em sua viatura.
Quando Gisele era escalada sozinha, ele teria chegado a pagar para que ela não comparecesse ao serviço. Além disso, colegas relataram que o controle se estendia à vida pessoal: a policial não podia usar maquiagem ou perfume em casa e tinha suas redes sociais monitoradas.
Um dos depoimentos aponta que Gisele bloqueou colegas homens nas redes sociais. Ainda não há confirmação se a decisão partiu dela ou se foi imposta pelo marido.
Violência e episódios de agressão
Os relatos também mencionam episódios de violência física. Em uma situação dentro do quartel, Gisele teria sido enforcada e pressionada contra a parede pelo tenente-coronel.
Há ainda registros de comportamentos considerados invasivos, como aparições inesperadas no local de trabalho e tentativas de ouvir conversas escondido. Em um dos episódios, o oficial teria se posicionado atrás de uma pilastra para escutar a esposa.
Além disso, Gisele relatou preocupações com a filha do casal, de 7 anos, que teria apresentado perda de peso e episódios de enurese noturna após conviver com o ambiente familiar.
Investigação descarta suicídio
A policial foi encontrada gravemente ferida no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, na região do Brás, em São Paulo. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita após inconsistências identificadas pela perícia. A Polícia Civil de São Paulo concluiu que a dinâmica do disparo não condizia com a hipótese inicial.
Testemunhas também afirmaram que Gisele nunca apresentou comportamento ou sinais que indicassem intenção de tirar a própria vida.
Tenente-coronel é preso e vira réu
Com base nas evidências reunidas, a Justiça autorizou a prisão preventiva de Geraldo Leite Rosa Neto, realizada no dia 18 de março, em São José dos Campos.
O oficial foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual. Segundo a acusação, ele teria matado a esposa em contexto de violência doméstica, com agravantes como motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A denúncia também aponta que o local do crime teria sido alterado com o objetivo de induzir a investigação ao erro.
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