Edileia Folha de Oliveira deu entrevista exclusiva ao portal Bacci Notícias e comentou a morte da filha, a empresária Bárbara Denise Folha de Oliveira, encontrada sem vida dentro de seu apartamento em São Vicente, no dia 20 de janeiro.

(Foto: Arquivo Pessoal cedido ao Bacci Notícias)
(Foto: Arquivo Pessoal cedido ao Bacci Notícias)

Dias após a morte do suspeito de feminicídio contra sua filha, a mãe da vítima, Edileia Folha de Oliveira, desabafoi nesta quinta-feira (9) sobre a saudade que tem da empresária Bárbara Denise Folha de Oliveira. Ela a encontrou sem vida no dia 20 de janeiro.

(Foto: Arquivo Pessoal cedido ao Bacci Notícias)

(Foto: Arquivo Pessoal cedido ao Bacci Notícias)

Em entrevista exclusiva ao portal Bacci Notícias, a mãe falou sobre a saudade que sente da jovem, o vazio que persiste após quase três meses do crime, além da morte de Manoel Ferro de Melo, suspeito de ter cometido o assassinato. Ela também comentou sobre o dia a dia com o neto Henrique, de 14 anos, filho do ex-casal.

Edileia descreve a filha como alguém de coração enorme e de caráter de general. Após o feminicídio, a mulher ficou apenas sob a companhia do filho de Bárbara com o suspeito, a quem recorre como apoio emocional. “Sem dúvida nenhuma meu neto, e o meu retorno ao trabalho [que lhe dão força]”, disse ela.

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Feminicídio dentro da própria casa

Barbara Denise Folha de Oliveira foi encontrada morta por asfixia no dia 20 de janeiro, em São Vicente, no litoral paulista, onde a vítima foi encontrada sem vida dentro de seu apartamento, no bairro Samaritá. O corpo foi encontrado pela própria mãe da empresária, acompanhada do filho dela, de 14 anos.

A mulher era sócia de uma clínica de bronzeamento da cidade litorânea. Edileia teve que encerrar a sociedade após a morte da filha, e relatou a saudade insistente quase três meses após o crime.

“Foi e é terrível, vazio, e cheio de incertezas tanto de futuro quanto de presente, pois a sociedade [da qual Bárbara fazia parte] foi interrompida pois eu não conseguiria dar continuidade ao estúdio de bronze, e arquei com o fim do contrato do imóvel e a reforma do mesmo”, contou.

Suspeito de matar empresária é encontrado morto em cela (Foto: Reprodução)

Relembre o crime

O crime aconteceu um dia após ela registrar em vídeo uma discussão com o ex-marido, dentro do próprio apartamento. Nas imagens, a empresária aparece tentando fazer com que o homem deixasse o local, enquanto ele resistia e chorava durante o confronto.

De acordo com a mãe da vítima, a gravação foi feita com a intenção de ser enviada ao irmão do ex-companheiro, como forma de mostrar a situação. Após registrar o momento, Barbara encaminhou o vídeo tanto para o familiar do suspeito quanto para a própria mãe.

No conteúdo, a empresária afirma que já havia providenciado dinheiro, documentos e pertences do ex-marido para que ele deixasse a residência. Mesmo assim, ele se recusava a sair, o que intensificou a discussão registrada pouco antes do crime.

Ritual com moedas no corpo

Durante o depoimento, o acusado afirmou ter colocado moedas nos olhos da vítima alegando uma suposta crença relacionada à passagem para o mundo espiritual, a Caronte, figura da mitologia grega conhecida por conduzir as almas ao mundo dos mortos.

Ele também apresentou justificativas para a presença de moedas em outras partes do corpo, associando o ato a declarações da ex-companheira sobre desejar paz e estabilidade financeira.

Conforme Edileia já havia denunciado anteriormente, os detalhes podem ter sido acrescidos pelo suspeito porque Bárbara e Manoel já tiveram conflitos anteriormente envolvendo conflitos financeiros.

Necessidade de conscientização

Para a mãe de Bárbara, a conscientização é a chave para evitar novos casos de feminicídio. “Conscientizar mães e filhos que desrespeito a mulher não deve ser aceito de forma alguma, não banalizar as agressão a esposa, irmã, mãe, filha. E as mulheres também precisam ser conscientizadas que casamento não é sinônimo de vida estável, nem de sustento eterno”, ressaltou.

Assim como quando a empresária era viva, Henrique permanece ao lado da vó no dia a dia. “Meu neto sempre ficou comigo pois minha filha sempre trabalhou em São Paulo capital, e eu, nem meu falecido marido, gostávamos de que ela levasse o Henrique pra visitar o pai. Agora, ele está fazendo acompanhamento psicológico, e frequenta as aulas normalmente”, disse Edileia.

Morte de Manoel

Manoel Ferro de Melo foi encontrado morto dentro da cela onde permanecia sozinho, na Penitenciária de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ele possuía um histórico criminal extenso e estava preso desde janeiro, detido na capital, dois dias após a morte de Bárbara, quando confessou o assassinato.

A morte do suspeito foi registrada pela Secretaria da Administração Penitenciária, na última sexta-feira (03). A Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP-SP), emitiu uma nota e afirmou que a causa da morte foi registrada como suspeita na Delegacia de Dracena e as investigações estão em andamento.

Durante a entrevista, Edileia adotou discurso de ferimentos autoinfligidos. “Impossível prever alguma coisa da Justiça quando se fala em crime de feminicídio, mas agora que o agressor tirou a própria vida na cadeia, podemos respirar mais aliviados”, disse.

“Recebi a notícia na quarta a noite, pra mim foi como se o Brasil tivesse ganho a Copa do Mundo, agora minha filha foi ‘justiçada’, com relação ao sentimento, eu disse que acabou meu luto, mas na verdade não, hoje já chorei pela ausência dela”, concluiu a mãe da vítima.

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