O governo federal gastou cerca de R$ 350 milhões para alugar cruzeiros usados como hospedagem na COP30, em Belém. A contratação foi considerada regular pelo TCU.

Presidente faz acusação contra lobby (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Presidente faz acusação contra lobby (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou ao menos R$ 350,2 milhões para alugar cruzeiros que serviram de hospedagem durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém.

Cruzeiros durante a COP30 - Foto: Divulgação/Secom PR

Cruzeiros durante a COP30 – Foto: Divulgação/Secom PR

O valor consta em documento da Casa Civil, revelado pelo Metrópoles, que detalha o processo de contratação dos navios utilizados para acomodar delegações internacionais durante o evento.

Como foi a contratação

Segundo o governo, a Secretaria Especial da COP30 firmou contrato com a Embratur, que, por sua vez, contratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda.

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A Qualitours ficou responsável por contratar embarcações das empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.

De acordo com o documento, “o valor total despendido pelo governo federal na operação foi de R$ 350.240.506,46”.

Justificativa do governo

O governo afirmou que a utilização de navios como hotéis flutuantes foi necessária devido ao déficit de hospedagem em Belém e à necessidade de cumprir exigências para sediar o evento internacional.

Segundo a Casa Civil, a medida fez parte de um conjunto de soluções para ampliar a oferta de leitos sem comprometer a capacidade da rede hoteleira local.

Relações empresariais

A empresa Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, que tem ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A companhia integra a holding BeFly, criada em 2021 com apoio de fundos ligados ao Banco Master.

Relatórios apontam ainda transações financeiras entre empresas ligadas aos dois empresários, incluindo movimentações em espécie.

O que dizem governo e empresas

Em nota, a Embratur afirmou que a escolha da Qualitours ocorreu por meio de chamamento público e que a empresa apresentou toda a documentação exigida.

A agência também destacou que não houve participação do Banco Master na contratação e que a operação teve estrutura financeira garantida pelo BTG Pactual.

Além disso, o contrato foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou a contratação regular e economicamente vantajosa em comparação ao fretamento direto dos navios.

A BeFly e a Qualitours também afirmaram que atuaram dentro da legalidade e que os serviços prestados seguiram as exigências técnicas do projeto.

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