O helicóptero que caiu em São Paulo em 2023 e matou quatro pessoas é o mesmo citado em investigação sobre uso por um operador do PCC. A aeronave havia pousado no Palácio dos Bandeirantes em 2022, um ano antes do acidente. O caso integra apuração sobre infiltração da facção em estruturas públicas.
O helicóptero que caiu na Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, em 2023, e deixou quatro mortos, é o mesmo citado em investigações da Polícia Civil de São Paulo sobre o uso da aeronave por um operador ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A aeronave, um modelo Robinson R44 II, prefixo PR-PGC, já havia sido utilizada um ano antes do acidente, em 2022, quando recebeu autorização para pousar no heliponto do Palácio dos Bandeirantes. O acesso teria sido solicitado por pessoas ligadas ao empresário João Gabriel de Mello Yamawaki, apontado como operador financeiro da facção.
- Leia também:
Operação da Polícia Civil mira infiltração do PCC em prefeituras da Grande São Paulo
Queda ocorreu em 2023
O acidente aconteceu em 2023, por volta das 14h45, na região da Barra Funda. Na ocasião, o helicóptero seguia para o Campo de Marte quando sofreu uma possível pane e colidiu com um coqueiro antes de cair.
Quatro pessoas morreram. Entre as vítimas estavam Antonio Cano dos Santos Junior, de 42 anos, e Caio Lucio de Benedetto Moreira, de 30, funcionários do Mirage Group Brasil. A aeronave tinha capacidade para um piloto e três passageiros e operava com autorização para táxi aéreo.
Uso anterior levanta questionamentos
A ligação entre o helicóptero e a investigação ganhou relevância após a descoberta de que a mesma aeronave havia sido utilizada em 2022 para acesso ao Palácio dos Bandeirantes, durante a gestão de João Doria.

Segundo a apuração, o investigado teria utilizado o helicóptero para ir ao local assistir a um jogo no estádio do Morumbi, o que levanta questionamentos sobre os critérios de autorização de acesso ao heliponto da sede do governo.
Operação investiga núcleo político
O caso integra o contexto da Operação Contaminatio, que apura a infiltração do PCC em estruturas públicas e a criação de um “núcleo político” para favorecer interesses da organização criminosa.
As investigações apontam que o grupo utilizava empresas e estruturas financeiras para movimentar recursos ilícitos e tentar influenciar decisões dentro de administrações públicas.
Investigações seguem em duas frentes
As causas do acidente de 2023 foram investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que analisou possíveis falhas técnicas e fatores contribuintes.

Já a investigação atual conduzida pela Polícia Civil busca esclarecer o uso da aeronave por integrantes ou associados ao PCC e sua eventual relação com o esquema de infiltração política.
Leia mais no Bacci Notícias:
