A revogação da “taxa das blusinhas” por Lula foi influenciada pela pressão política, desgaste popular e avaliação eleitoral dentro do governo. Aliados afirmam que a saída de Fernando Haddad, criador da medida, também pesou para a decisão. O Planalto temia perder apoio popular e abrir espaço para a oposição explorar o tema.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad  - Foto:  Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de revogar a chamada “taxa das blusinhas” foi influenciada não apenas pela pressão política dentro do governo, mas também pela saída do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), apontado como um dos principais defensores da medida. A avaliação é de integrantes do Palácio do Planalto ouvidos pela CNN.

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Haddad aceita disputar governo de SP após pedido de Lula - Foto: Reprodução/Agência Brasil

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Criada em 2023, durante a gestão de Haddad na Fazenda, a regra previa a cobrança de 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas estrangeiras. Para valores superiores, a tributação poderia chegar a 60%.

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Na época, Haddad argumentava que existia concorrência desleal entre produtos importados, principalmente chineses, e o comércio brasileiro. A medida, porém, passou a sofrer forte desgaste popular, especialmente nas redes sociais, onde foi apelidada de “taxa das blusinhas”.

Planalto avaliou desgaste político da medida

Segundo interlocutores do governo, Lula foi convencido de que o custo político da manutenção da cobrança passou a superar os ganhos econômicos e de arrecadação.

Nos bastidores, aliados afirmam que o presidente avaliou que manter o imposto poderia prejudicar ainda mais sua imagem diante do eleitorado, principalmente em um cenário de aproximação das eleições de 2026.

A revogação ocorreu após articulação da ala política do governo e do PT, que defendia a necessidade de reduzir desgastes em meio a uma sequência de episódios considerados negativos para o Planalto.

Entre eles estão a rejeição, no Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial sobre a dosimetria de penas, tema que acabou beneficiando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Fazenda nega embate interno

Integrantes do Ministério da Fazenda negaram que tenha existido conflito interno sobre a decisão. À CNN, auxiliares da equipe econômica afirmaram que o ministro Dario Durigan participou diretamente da elaboração da medida provisória ao lado de Lula.

Segundo a Fazenda, a principal preocupação da equipe econômica estava relacionada à preservação do programa Remessa Conforme, criado pela Receita Federal para ampliar o controle sobre encomendas internacionais e reduzir fraudes em importações.

O programa prevê que empresas estrangeiras recolham os impostos no momento da compra, antes mesmo da chegada do produto ao Brasil.

Alckmin defendia manutenção da cobrança

O vice-presidente Geraldo Alckmin e setores ligados à indústria nacional defendiam a continuidade da taxação sob o argumento de proteção ao setor produtivo brasileiro.

No início do mês, Alckmin chegou a afirmar que a indústria têxtil registrou aumento de contratações após a implementação do imposto sobre compras internacionais. Apesar disso, a pressão política aumentou depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), possível adversário de Lula em 2026, passou a defender publicamente o fim da cobrança.

Parlamentares do PL também aprovaram um requerimento de urgência para um projeto que pretendia derrubar o imposto no Congresso. A avaliação no governo era de que, caso isso ocorresse, Lula perderia o capital político de anunciar a redução nos preços de produtos vendidos em plataformas asiáticas.

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