Uma mulher trans foi conduzida à delegacia após ser acusada de atingir o pai com um maçarico durante uma briga familiar na zona norte de São Paulo. Khala Anderson De Oliveira Gomes afirma que sofre violência doméstica e diz que utilizou o objeto para afastar o pai após ele tentar arrombar a porta do quarto. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Um homem ficou ferido com queimaduras após uma discussão com a filha na Rua Antero Bloem, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (14).

O caso aconteceu na Rua Antero Bloem e envolveu Khala Anderson De Oliveira Gomes e o pai dela, identificado como Gerson.
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Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados via Copom após denúncia de uma pessoa ferida por queimaduras. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a Unidade de Resgate já prestando atendimento.
De acordo com a PM, Khala teria atingido o couro cabeludo do pai com um maçarico durante uma discussão familiar. O homem foi socorrido ao Pronto-Socorro Cachoeirinha e, posteriormente, encaminhado à delegacia. Já Khala foi levada diretamente para a 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Khala afirma que pai tentou arrombar porta do quarto
Em depoimento à polícia, Khala afirmou que vive na mesma residência com os pais, Gerson e Maria Inês, e relatou um histórico de conflitos familiares e agressões.
Segundo ela, o pai frequentemente apresenta comportamento agressivo e já teria feito ameaças verbais, incluindo dizer que iria “esfolá-la viva”.
A mulher afirmou que, no dia da ocorrência, desceu até a cozinha da casa e encontrou o pai alterado, tentando expulsá-la da residência.
“Ele passou a elevar o tom de voz e tentar me expulsar de casa”, relatou.
Khala afirmou que correu para o quarto com medo de ser agredida e que o pai a perseguiu fazendo ameaças. Segundo ela, ao fechar a porta do cômodo, Gerson tentou arrombá-la.
A investigada contou que havia um maçarico próximo à entrada do quarto, utilizado por ela para acender pequenas fogueiras na varanda da residência. Segundo o relato, ela pegou o objeto para afastar o pai.
“Minha intenção não era lesioná-lo”, afirmou em depoimento.
Pai diz que foi atacado de surpresa
Já Gerson apresentou uma versão diferente do episódio. Segundo ele, a discussão começou enquanto preparava o jantar para a esposa e conversava com a filha sobre um carro quebrado da família.
O homem afirmou que Khala reclamou sobre liberdade dentro da casa e, em seguida, o surpreendeu com fogo vindo em sua direção.
“Percebi fogo vindo na minha direção, atingindo minha cabeça”, relatou.
Gerson disse ainda que desconhecia que a filha possuía um maçarico e afirmou que o ataque aconteceu na sala da residência, e não no quarto.
Acusações de agressões e questões psicológicas
Khala também afirmou à polícia que já sofreu episódios anteriores de violência doméstica dentro de casa e que possui boletins de ocorrência registrados contra o pai.
Ela relatou ainda que trabalha com internet, faz transmissões online e produz conteúdo sobre jogos, viagens e arqueologia.
No depoimento, Khala disse que os pais dificultariam seu trabalho e que sofre pressão psicológica constante dentro da residência.
Já Gerson afirmou que a filha possui transtornos psiquiátricos, apresenta “surtos constantes” e se recusa a realizar acompanhamento médico ou tratamento.
Segundo ele, uma consulta psiquiátrica havia sido marcada dias antes da ocorrência, mas Khala não compareceu.
Polícia investiga o caso
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência e analisa as versões apresentadas pelos envolvidos.
Khala foi orientada sobre medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha e sobre a rede de proteção à mulher, mas informou não ter interesse em solicitar abrigo ou proteção no momento.
ções sobre o estado de saúde do homem nem sobre eventuais medidas judiciais adotadas após o caso.
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