Moradores da rua Lisboa, em Pinheiros, instalaram uma faixa alertando sobre assaltos frequentes praticados por criminosos em motos. O aviso foi retirado pela Prefeitura por contrariar a Lei Cidade Limpa. Comerciantes relatam aumento da violência e sensação de abandono, enquanto dados da SSP mostram crescimento das ocorrências na via.

Rua Lisboa, em Pinheiros, SP - Foto: Reprodução/Google Maps
Rua Lisboa, em Pinheiros, SP - Foto: Reprodução/Google Maps

Moradores e comerciantes da rua Lisboa, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, decidiram agir por conta própria diante da onda de roubos e furtos na região. Na segunda-feira (25), eles instalaram uma faixa atravessando a via para alertar pedestres e motoristas sobre os assaltos frequentes no local.

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Faixa instalada por moradores ficou por menos de duas horas no local - Foto: Reprodução

Faixa instalada por moradores ficou por menos de duas horas no local – Foto: Reprodução

O banner dizia: “Cuidado! Trecho com alto índice de assalto por motoqueiros. Fiquem atentos!”.

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A ação, porém, durou pouco. Segundo os moradores, a faixa foi retirada pela fiscalização da Subprefeitura de Pinheiros em menos de duas horas por estar em desacordo com a Lei Cidade Limpa.

Moradores relatam sensação de abandono

Os comerciantes afirmam que o aviso foi apenas mais uma tentativa de chamar atenção para a insegurança na região.

Segundo eles, já houve reuniões com o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança), contatos com o 14º Distrito Policial, pedidos à Subprefeitura de Pinheiros e reforço na iluminação pública.

Além disso, moradores também instalaram placas do programa Vizinhança Solidária nas fachadas de estabelecimentos e chegaram a discutir a contratação de segurança privada.

Apesar das medidas, eles afirmam que os crimes continuam acontecendo diariamente.

“Todo dia tem assalto”

O cabeleireiro Marcelo Oristanio, de 60 anos, trabalha há 17 anos na rua Lisboa e afirma que nunca viu a criminalidade tão intensa.

Segundo ele, há duas semanas presenciou um roubo enquanto fechava o salão acompanhado da esposa, da filha e de amigas.

De acordo com o relato, dois criminosos em motos passaram lentamente observando a movimentação. Depois, retornaram e renderam um casal que estacionava em frente ao estabelecimento.

Os assaltantes sacaram armas, cercaram o carro e fugiram levando celulares. “Quando ocorre um assalto e a gente noticia, à noite passa bastante viatura. Depois desaparece”, afirmou Marcelo.

A professora de pilates e yoga Paola Cavanha, de 66 anos, também relata mudança drástica no perfil da região. “Você saía tranquilo aqui, agora você já não sai mais, mesmo com os comércios e bares abertos”, disse à Folha.

Ela afirma que já sofreu tentativa de roubo e que diversos alunos do estúdio onde trabalha também foram assaltados.

Dados mostram aumento de roubos na rua Lisboa

Embora a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirme que houve redução geral de roubos e furtos em Pinheiros no primeiro trimestre de 2026, os números específicos da rua Lisboa apontam aumento das ocorrências.

Segundo dados da própria SSP:

  • Nos seis primeiros meses de 2025, foram registrados 24 casos de roubos e furtos na via;
  • Entre julho e dezembro do mesmo ano, o número subiu para 37 ocorrências;
  • Apenas entre janeiro e março de 2026, já foram registrados 24 casos.

Ou seja, em apenas três meses, a quantidade de ocorrências já igualou todo o primeiro semestre do ano passado.

Polícia diz que reforçou patrulhamento

A SSP informou que a Polícia Militar ampliou o policiamento em Pinheiros e na Vila Madalena para tentar conter os crimes na região.

Segundo a pasta, 62 policiais atuam na área.

A Polícia Civil afirmou ainda que um homem suspeito de participar de ao menos 13 roubos na região já foi identificado e preso.

Já a Prefeitura de São Paulo informou que mantém 7.803 câmeras do programa Smart Sampa instaladas em Pinheiros e patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana durante 24 horas.

Criminalidade muda de rua, dizem moradores

Mesmo com as ações, moradores afirmam que os criminosos apenas mudam os pontos de atuação conforme aumenta o policiamento: “O ponto perigoso era numa rua mais para cima, depois veio para cá. Policiam a rua de lá de cima, eles descem para cá”, afirmou Paola.

A veterinária Deise Garcia, de 33 anos, reforçou a sensação de insegurança.

“Todo dia tem assalto — na Alves Guimarães, na João Moura, na Lisboa, na Capote Valente. Só varia a rua”, disse em entrevista à Folha de S.Paulo.

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