A China deu mais um passo em suas pesquisas espaciais ao enviar embriões humanos artificiais para a estação espacial Tiangong a bordo da nave Tianzhou-10. O experimento, considerado inédito, busca analisar como a microgravidade influencia as primeiras fases do desenvolvimento humano e poderá ajudar cientistas a entender os desafios da reprodução e da permanência prolongada no espaço.

Estação chinesa Shujianyang  (Foto: Wikimedia Commons)
Estação chinesa Shujianyang (Foto: Wikimedia Commons)

A China deu mais um passo em sua estratégia de expansão no setor espacial e reforçou a disputa tecnológica com os Estados Unidos. Dias antes do lançamento da missão tripulada Shenzhou-23, realizado no último domingo (24), o governo chinês já havia enviado ao espaço a nave de abastecimento Tianzhou-10, destinada à estação espacial Tiangong.

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Estação espacial (Foto: Freepik)

Entre os materiais transportados na missão estavam embriões humanos artificiais produzidos em laboratório, marcando o início do primeiro experimento chinês desse tipo em ambiente espacial.

De acordo com informações divulgadas pela Academia Chinesa de Ciências, as estruturas foram desenvolvidas a partir de células-tronco humanas.

O principal objetivo da pesquisa é analisar de que forma a microgravidade pode impactar as fases iniciais do desenvolvimento embrionário. Os cientistas esperam que os resultados ajudem a ampliar o conhecimento sobre reprodução e desenvolvimento humano em missões espaciais de longa duração.

“Apesar de não se tratar de um embrião humano real e não ter a capacidade de se desenvolver em um indivíduo, o experimento pode servir como modelo para o estudo do desenvolvimento humano inicial”, explica o líder do projeto, Yu Leqian.

Cientistas explicam função dos embriões artificiais

Os pesquisadores responsáveis pelo projeto afirmam que os embriões artificiais enviados ao espaço apresentam características semelhantes às de embriões humanos naturais, embora não tenham potencial para gerar um ser humano.

Segundo os cientistas envolvidos, as estruturas foram criadas exclusivamente para fins científicos e devem auxiliar no entendimento das primeiras etapas do desenvolvimento humano.

Durante a missão, as amostras permanecerão em observação por cinco dias na estação espacial. Os testes envolvem dois modelos diferentes: um desenvolvido em células que simulam o ambiente uterino e outro mantido em um dispositivo microfluídico, tecnologia capaz de reproduzir condições biológicas em pequena escala.

Estudos paralelos também estão sendo conduzidos em laboratórios na Terra para comparação dos resultados. A missão da nave Tianzhou-10 não levou apenas os embriões artificiais.

O cargueiro espacial transportou ainda dezenas de pesquisas científicas, entre elas experimentos com embriões de peixe-zebra e camundongos. No total, cerca de sete toneladas de materiais foram enviadas à estação Tiangong, incluindo suprimentos para os astronautas, combustível e equipamentos espaciais.

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Cientistas estudam possibilidades de reprodução no espaço

O estudo faz parte de uma série de investigações voltadas ao futuro da permanência humana no espaço, incluindo possíveis missões de longa duração e projetos de colonização fora da Terra.

Segundo os pesquisadores, os dados obtidos poderão contribuir para estudos sobre sobrevivência, reprodução e adaptação do corpo humano em ambientes espaciais. Especialistas acreditam que esse tipo de conhecimento será essencial caso a humanidade avance na criação de bases permanentes na Lua ou até mesmo em Marte.

Apesar do potencial científico, os desafios continuam sendo significativos. Estudos recentes já apontaram que a ausência de gravidade pode prejudicar o comportamento dos espermatozoides, reduzindo as chances de fecundação.

Além disso, pesquisas anteriores indicaram que células-tronco sofrem envelhecimento acelerado fora da Terra, o que preocupa a comunidade científica. Após os testes em órbita, os embriões artificiais serão preservados e enviados de volta ao planeta para comparação com amostras mantidas em laboratórios terrestres.

A expectativa dos cientistas é identificar quais fatores do ambiente espacial podem afetar o crescimento embrionário humano e, assim, antecipar possíveis riscos enfrentados por astronautas em futuras habitações espaciais prolongadas.

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