O senador Flávio Bolsonaro enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo a suspensão das tarifas impostas a produtos brasileiros. No documento, o parlamentar argumenta que as medidas prejudicam a economia nacional, critica a condução econômica do governo federal e afirma acreditar em uma mudança de cenário político nas próximas eleições.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República  (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou nesta terça-feira (2) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na qual defende a manutenção das relações comerciais entre os dois países sem a adoção de novas barreiras tarifárias contra produtos brasileiros.

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No documento, o parlamentar também demonstra otimismo em relação ao cenário político nacional e afirma acreditar em uma vitória da oposição nas eleições presidenciais de outubro.

Na mensagem, Flávio destacou positivamente a decisão do governo norte-americano de enquadrar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Segundo ele, a medida representa um passo importante para fortalecer o combate ao crime organizado e ampliar a cooperação internacional na área de segurança.

O senador também expressou preocupação com a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O procedimento poderá abrir caminho para a aplicação de novas tarifas sobre exportações brasileiras, o que, na avaliação de Flávio, teria impactos negativos para setores da economia e para as relações bilaterais entre os dois países.

“Eu reitero, formalmente, o pedido que fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, escreveu.

Flávio Bolsonaro ‘canta’ vitória nas eleições presidenciais

Na mensagem enviada ao governo dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro demonstrou confiança em uma vitória nas eleições presidenciais deste ano e sinalizou disposição para iniciar tratativas comerciais com Washington caso chegue ao Palácio do Planalto.

O senador afirmou que, em um eventual governo sob sua liderança, pretende mobilizar rapidamente sua equipe de transição para avançar em negociações voltadas à ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois países.

Ao encerrar a carta, o parlamentar reforçou a importância da parceria entre Brasil e Estados Unidos, destacando o interesse em estreitar os laços diplomáticos e econômicos. Segundo Flávio, o objetivo é ampliar a cooperação estratégica e fortalecer a relação bilateral em diferentes áreas de interesse comum.

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Flávio aponta cenário econômico preocupante

No documento enviado às autoridades americanas, Flávio Bolsonaro afirma que o Brasil enfrenta desafios econômicos significativos, marcados pelo avanço do endividamento público, pelo aumento das dificuldades financeiras de famílias e empresas e pelo crescimento no número de solicitações de recuperação judicial.

Para o senador, esses indicadores refletem um cenário de fragilidade econômica que exige atenção.

Diante desse contexto, o parlamentar defende que uma eventual ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos poderia agravar ainda mais a situação econômica do país. Segundo ele, as consequências seriam sentidas principalmente pela população, com possíveis impactos sobre empregos, renda e atividade produtiva.

“Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como parceiro e amigo”, afirmou.

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro (Reprodução/Redes Sociais)

Leia a carta na integra

Prezado Secretário Rubio,

Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.

Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.

Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.

O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.

Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.

Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.

Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.

Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.

Respeitosamente,

Flávio Bolsonaro

Senador da República Federativa do Brasil.

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