Investigações do Ministério Público do Rio apontam que o cabo Luciano da Costa Ramos Júnior, preso por suspeita de ligação com o Comando Vermelho, fingia ter acesso privilegiado ao Gaeco para impressionar traficantes. Relatórios indicam que documentos atribuídos ao órgão eram falsos e que não há registros de presença do policial nas dependências do Ministério Público nos momentos alegados por ele.
Conversas extraídas de celulares do cabo da Polícia Militar Luciano da Costa Ramos Júnior revelaram uma relação próxima entre o policial e integrantes do Comando Vermelho.

Nos diálogos, Luciano e o traficante Gabriel Dias de Oliveira se tratavam como “irmão”, enquanto o policial afirmava possuir acesso a informações sigilosas do Ministério Público do Rio de Janeiro.
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Gaeco desmontou versão do policial
De acordo com relatórios produzidos pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público fluminense, não foram encontrados registros que comprovassem a presença do policial nas dependências do órgão nos dias e horários mencionados por ele nas mensagens.
A análise das câmeras de segurança e dos sistemas de controle de acesso levou os investigadores à conclusão de que Luciano simulava influência e acesso privilegiado para impressionar integrantes da facção.
Documentos enviados seriam falsos
A investigação também apontou que parte dos documentos atribuídos ao Gaeco e compartilhados pelo policial apresentava sinais de falsificação.
Segundo os analistas, os materiais continham erros de formatação, ausência de protocolos oficiais, referências incorretas à legislação e até nomes de policiais inexistentes.
Os relatórios classificaram as peças como “falsificações grosseiras”.
Policial criava personagens para dar credibilidade
As mensagens revelam ainda que Luciano criava a figura de um suposto “doutor” para reforçar a aparência de respaldo institucional das informações que compartilhava com criminosos.
Em algumas conversas, ele alegava ter participado de reuniões internas e ter acesso direto a promotores, algo que não foi confirmado pelas investigações.
Segundo o Ministério Público, as informações eram usadas para convencer traficantes de que ele possuía influência dentro do sistema de Justiça.
Operação revelou esquema
As suspeitas vieram à tona após a extração de dados de celulares apreendidos durante investigações da Polícia Federal.
O material foi analisado após pedido da coordenadora do Gaeco, Letícia Emile, e do procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira.
A apuração integra os desdobramentos da Operação Oricalco, que investigou ligações entre facções criminosas, agentes públicos e políticos.
Defesa nega acesso privilegiado
A defesa de Luciano afirmou que o próprio Ministério Público concluiu que o policial não possuía acesso privilegiado às informações que alegava ter.
Segundo os advogados, ele apenas criava uma imagem de proximidade com órgãos de investigação para se valorizar diante dos criminosos.
O policial segue preso na Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói.
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