O servidor público Vanderley dos Santos Gomes foi condenado pela Justiça da Bahia por estelionato após forjar um sequestro e amputar o próprio pé para tentar receber R$ 1,5 milhão em apólices de seguro de vida contratadas poucas semanas antes. A perícia desmantelou a farsa ao encontrar o membro e os pertences da “vítima” a metros do local do socorro. Após ter o recurso negado no STJ, ele cumpre pena em regime aberto e prestação de serviços.
O Portal Bacci Notícias segue acompanhando de perto o caso do servidor público que amputou seu próprio pé para receber R$ 1,5 milhão de indenização de um seguro de vida do município de Amélia Rodrigues, no interior da Bahia.
O caso aconteceu em julho de 2019 e ganhou repercussão porque o fato ocorreu cerca de um mês depois de Vanderley dos Santos Gomes contratar quatro apólices de seguro de vida e acidentes pessoais, que juntas poderiam garantir indenizações de até R$ 1,5 milhão em caso de invalidez.

(Foto: Arquivo pessoal)
Condenação na Justiça
O homem, inclusive, acabou condenado pela Justiça da Bahia. De acordo com a decisão da Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos, o servidor deverá cumprir dois anos de prisão em regime aberto, 720 horas de prestação de serviços à comunidade, além de pagar uma multa no valor de R$ 7.590 a título de prestação pecuniária.
Na época, o servidor Vanderley dos Santos Gomes alegou à Polícia Civil e à Justiça que teria perdido o membro durante um assalto seguido de sequestro, em Cruz das Almas. Segundo o relato, ele foi abordado por dois homens armados, amarrado e vendado, e depois teve o pé amputado em uma estrada de terra.
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As autoridades encontraram diversas incoerências no depoimento do servidor. A perícia localizou a mochila de Vanderley contendo todos os pertences que ele disse terem sido roubados, além do próprio pé amputado, a apenas 350 metros do local onde foi socorrido.
O laudo judicial destacou que não havia lógica na suposta amputação durante o “sequestro”, já que a vítima não tinha inimigos e nenhum pedido de resgate foi feito. Também chamou a atenção o fato de ele ter contratado quatro seguros de vida apenas seis semanas antes do ocorrido, o que levantou suspeitas de premeditação.
Recurso negado
A Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos concluiu que a fraude foi planejada. Vanderley foi condenado em primeira e segunda instâncias por estelionato, sendo intimado a iniciar o cumprimento da pena em maio de 2025, após o trânsito em julgado.
Mesmo tentando recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o pedido foi negado. A Justiça baiana entendeu que todos os questionamentos da defesa já haviam sido analisados durante o processo, não sendo necessário encaminhar o caso ao STJ.
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