A plataforma de venda de artigos usados Vinted passou a ser alvo de uma investigação na França após a circulação de anúncios considerados suspeitos por usuários e influenciadores nas redes sociais. As publicações exibiam objetos comuns, como brinquedos e pelúcias, mas continham descrições incomuns e valores elevados, o que levantou questionamentos sobre uma possível relação com crimes envolvendo menores

Reprodução de uma das fotos do site (Foto: reprodução)
Reprodução de uma das fotos do site (Foto: reprodução)

A plataforma de compra e venda de artigos usados Vinted passou a ser alvo de investigação após usuários identificarem anúncios com conteúdos considerados suspeitos.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais, onde influenciadores e internautas começaram a compartilhar publicações que levantaram preocupações sobre possíveis mensagens codificadas envolvendo exploração infantil e tráfico de pessoas.

Vendas no site (Foto: Reprodução)

Entre os anúncios que chamaram a atenção estão ofertas de objetos comuns, como bichos de pelúcia e brinquedos, acompanhadas de descrições incomuns.

“Três anos, fêmea, 91cm, 13kg, apertada. Pequena, loira, olhos azuis, menina obediente”. O preço estava avaliado em 1.000 euros, o equivalente a cerca de R$ 5.910 na cotação atual.

Os valores atribuídos aos itens também despertaram estranheza. Alguns produtos foram anunciados por milhares de euros, cifras consideradas incompatíveis com os objetos exibidos nas imagens.

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Outro traz a foto de brinquedos do Mickey Mouse e da Minie com mais uma descrição suspeita: “120 cm e 37 kg… Tive por quatro anos, terá cinco em novembro.” O valor do suposto brinquedo está avaliado em 9 mil euros, aproximadamente R$ 53.280 na cotação atual.

A repercussão fez com que o assunto ganhasse destaque em diferentes países, impulsionando pedidos por uma apuração mais rigorosa sobre o conteúdo divulgado na plataforma.

Alta Comissária para a Infância cobra apuração

A Alta Comissária para a Infância da França, Sarah El Haïry, encaminhou as informações relacionadas aos anúncios suspeitos aos órgãos competentes para que fossem analisadas pelas autoridades responsáveis por crimes praticados no ambiente digital.

Em manifestação pública, Sarah defendeu uma apuração rigorosa das denúncias e ressaltou a necessidade de que plataformas digitais atuem de forma ativa na prevenção de possíveis crimes. A comissária destacou ainda que ambientes online não podem servir de espaço para a atuação de pessoas que representem risco a crianças e adolescentes.

Alta Comissária para a Infância (Reprodução/Redes Sociais)

Diante da gravidade das suspeitas levantadas, o Ministério Público de Nanterre confirmou a abertura de uma investigação preliminar para verificar os fatos. O objetivo é determinar se os anúncios publicados possuem relação com atividades criminosas.

As apurações estão sendo conduzidas por uma unidade especializada da polícia francesa dedicada a casos envolvendo menores de idade. O trabalho inclui a análise dos conteúdos divulgados, a identificação dos responsáveis pelas publicações e a verificação de eventuais conexões com práticas ilícitas.

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O que diz a Vinted sobre as acusações

Em resposta à repercussão do caso, a Vinted declarou que as análises realizadas até o momento não identificaram evidências que comprovem o uso da plataforma para atividades relacionadas à exploração infantil.

A empresa afirmou ainda que vem adotando medidas para remover publicações consideradas enganosas ou criadas com o objetivo de ampliar especulações nas redes sociais.

Segundo a plataforma, os preços elevados observados em alguns produtos podem estar relacionados ao mercado de colecionadores, a estratégias de negociação entre vendedores e compradores ou até mesmo a comportamentos provocativos sem ligação com atividades criminosas.

Não é a primeira vez

As suspeitas envolvendo a Vinted, no entanto, não são inéditas. Em anos anteriores, conteúdos semelhantes já haviam circulado na internet, levantando questionamentos sobre anúncios de artigos infantis que apresentavam descrições incomuns e valores considerados fora do padrão.

Na ocasião, investigações avaliaram a presença de conteúdos relacionados à promoção de material adulto e perfis associados ao OnlyFans. As publicações teriam sido identificadas principalmente em categorias ligadas a roupas de praia e moda feminina.

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