O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento em que defende o sistema de pagamentos instantâneos PIX e afirma que ele não substitui serviços oferecidos por cartões de crédito e débito.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Flávio Bolsonaro e Donald Trump - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento em que defende o sistema de pagamentos instantâneos PIX e afirma que ele não substitui serviços oferecidos por cartões de crédito e débito.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

No texto, enviado na última quarta-feira (01), o parlamentar argumenta que a aplicação de novas sanções ou tarifas contra o Brasil não resolveria eventuais questionamentos sobre o sistema financeiro brasileiro e poderia prejudicar investimentos norte-americanos no país.

Flávio afirma que PIX não substitui cartões de crédito

Na manifestação, o senador destaca que o PIX oferece uma modalidade de pagamento diferente da disponibilizada por instituições financeiras privadas e bandeiras de cartões.

Segundo ele, serviços como crédito ao consumidor, parcelamento de compras, proteção em disputas comerciais e mecanismos de estorno continuam sendo oferecidos pelos cartões de crédito e débito.

“Instrumentos de pagamento privados — cartões de crédito e débito, e outros tipos de empresas — oferecem funções que o Pix não substitui, incluindo crédito ao consumidor, financiamento, proteção contra disputas e mecanismos de estorno”, afirma Flávio Bolsonaro no documento.

O senador também argumenta que a adoção de sanções comerciais seria uma medida inadequada.

“Uma sanção ou tarifa é a medida errada: não altera a arquitetura do sistema de pagamentos e prejudica o investimento dos EUA.”

Documento cita compromisso sobre integração do PIX

Na manifestação enviada ao USTR, Flávio Bolsonaro afirma que existe um compromisso legislativo para que o PIX não seja conectado a sistemas de liquidação transfronteiriça considerados “não ocidentais”.

Segundo o senador, essa medida serviria para reduzir preocupações levantadas por autoridades norte-americanas em relação ao sistema de pagamentos brasileiro.

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Senador diz que críticas ao PIX são exageradas

No documento, Flávio Bolsonaro também classifica como exageradas as alegações de conflito de interesses envolvendo o PIX.

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Ele argumenta que o sistema brasileiro é uma infraestrutura pública de pagamentos e cita como exemplo o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

“O Pix é uma infraestrutura pública soberana de pagamentos, não uma empresa comercial concorrente; a teoria de conflito de interesses é exagerada, visto que o Federal Reserve dos EUA é, da mesma forma, regulador e operador de um sistema de pagamentos instantâneos (FedNow)”, diz o texto.

O senador também afirma que, mesmo após a criação do PIX, o volume de transações realizadas com cartões de empresas norte-americanas continuou crescendo no Brasil.

Flávio pede adiamento de tarifas por 180 dias

Além da defesa do PIX, o documento de 86 páginas solicita ao governo dos Estados Unidos o adiamento, por 180 dias, da aplicação de novas tarifas sobre exportações brasileiras.

Na prática, o pedido busca postergar a cobrança de tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos para um período posterior às eleições presidenciais no Brasil.

Segundo Flávio Bolsonaro, medidas semelhantes adotadas anteriormente pelo governo norte-americano não produziram os resultados esperados e não alteraram o comportamento das autoridades brasileiras.

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