O avanço do surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) preocupa autoridades de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença já registrou 1.460 casos em 2026, número que pode ser ainda maior devido à subnotificação, comum em regiões afetadas por crises humanitárias.

Foto: Reprodução.
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O avanço do surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) preocupa autoridades de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença já registrou 1.460 casos em 2026, número que pode ser ainda maior devido à subnotificação, comum em regiões afetadas por crises humanitárias.

O epicentro da epidemia continua sendo a RDC, mas casos também foram identificados em Uganda, com 20 registros, e na França, onde um paciente foi diagnosticado com a doença. De acordo com as autoridades sanitárias, todos os casos registrados fora do Congo têm ligação com o surto no país africano.

Mais de 450 mortes e violência dificultam combate ao vírus

Somente neste ano, mais de 450 pessoas morreram em decorrência do Ebola na República Democrática do Congo.

Além da rápida disseminação da doença, equipes de saúde enfrentam outro desafio: a violência provocada por grupos armados que atuam em diversas regiões do país.

Segundo o Centro Global para a Responsabilidade de Proteger, cerca de 120 milícias e grupos armados operam no território congolês. Esse cenário dificulta o rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados, uma das principais estratégias para conter surtos de Ebola.

A Organização Mundial da Saúde também denunciou ataques contra unidades de saúde durante as ações de combate à doença, obrigando equipes médicas a interromper ou limitar atendimentos em algumas áreas por questões de segurança.

Variante atual não possui vacina

O atual surto é causado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico aprovado.

Essa característica torna o controle da doença ainda mais complexo.

Em surtos anteriores, a variante predominante era a espécie Zaire, que já conta com vacina e métodos de prevenção mais consolidados.

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OMS avalia medicamentos já existentes

Na tentativa de reduzir o número de mortes, a Organização Mundial da Saúde anunciou que pretende recrutar voluntários na República Democrática do Congo para testar medicamentos que já existem e verificar se eles podem aumentar as chances de sobrevivência de pessoas infectadas.

Entre as opções avaliadas está o antiviral Remdesivir, medicamento utilizado durante a pandemia de Covid-19.

O objetivo é identificar tratamentos que possam ser incorporados ao combate ao Ebola enquanto não há uma terapia específica para a variante Bundibugyo.

Desinformação agrava a crise

Outro fator apontado por especialistas como um dos principais desafios é a circulação de informações falsas sobre a doença.

Segundo Christopher Nehring, especialista em desinformação que elaborou um estudo para a Fundação Konrad Adenauer, muitas pessoas nas áreas afetadas chegam a duvidar da existência do Ebola.

“Eles não acreditam que o vírus exista. Continuam frequentando hospitais e locais onde há pessoas doentes e acabam contribuindo para a disseminação da doença”, explicou o pesquisador ao jornal O Globo.

Nehring também lembra que, em surtos anteriores, circularam boatos afirmando que a vacina contra o Ebola seria mais perigosa do que o próprio vírus.

Crise humanitária exige ações além da saúde

Para especialistas, controlar o avanço do Ebola depende não apenas de medidas médicas, como testagem e rastreamento de contatos.

Paul B. Spiegel, diretor do Centro Johns Hopkins para Saúde Humanitária, afirma que o enfrentamento da epidemia também passa pela melhoria das condições de vida da população.

Segundo ele, é necessário garantir segurança, alimentação, acesso à água potável, transporte e serviços básicos para que as estratégias de controle da doença sejam realmente eficazes.

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