Conhecida pela simpatia e amada pela família, a tenente Kelly Patrícia Camara da Silva, de 30 anos, se transforma quando veste a farda: torna-se uma das profissionais mais respeitadas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, ela detalhou os bastidores da megaoperação realizada nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, na última terça-feira (28).
Conhecida pela simpatia e amada pela família, a tenente Kelly Patrícia Camara da Silva, de 30 anos, se transforma quando veste a farda: torna-se uma das profissionais mais respeitadas da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, ela detalhou os bastidores da megaoperação realizada nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, na última terça-feira (28).
Kelly foi a única mulher a liderar uma das 26 equipes que participaram da ação, em áreas como Vila Cruzeiro, Merendiba, Parque Proletário e Quatro Bicas. A operação, considerada de alto risco, envolveu confrontos com criminosos fortemente armados.
“Confesso que cheguei a ter medo da morte. O local da operação era muito instável, porém, na adrenalina, o medo passa um pouco batido”, relatou a tenente.
Durante a ação, Kelly coordenou a prisão de 25 suspeitos e a apreensão de 19 fuzis e um revólver, sem precisar disparar um único tiro. “Minha missão naquele momento era gerir pessoas, prezando pela segurança da minha equipe. Como eu não era a ‘ponta’ (o primeiro homem da patrulha), não houve necessidade de atirar, até para evitar o chamado ‘disparo amigo’”, explicou.

Kelly coordenou a prisão de 25 suspeitos e a apreensão de 19 fuzis e um revólver (Foto: Arquivo Pessoal)
Pressão e negociação
A tenente também falou sobre a tensão durante uma das negociações mais delicadas da operação. Sua equipe estava em inferioridade numérica diante de traficantes do Comando Vermelho (CV).
“Durante a negociação, fiquei receosa. Eles diziam que iriam se entregar, afirmando haver cerca de 30 pessoas armadas dentro da casa. Minha equipe tinha apenas 14 policiais. A situação poderia facilmente sair do controle”, contou.
Kelly foi a responsável pela prisão dos criminosos que invadiram uma residência e fizeram uma moradora refém. A vítima foi obrigada a gravar a saída dos traficantes, que temiam ser executados pela polícia. O vídeo do momento viralizou nas redes sociais.
“Tivemos êxito na negociação. Havia um jornalista gravando tudo e os policiais da minha equipe portavam câmeras corporais. Quem optou por não confrontar e se entregar foi preso”, relatou, destacando a importância da transparência e da atuação da imprensa em ações desse porte.
A força feminina na tropa
Há quase dois anos na linha de frente do Batalhão de Choque, Kelly afirma que o machismo já não é um obstáculo em sua rotina. “A polícia é uma profissão predominantemente masculina, mas as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço na corporação. Já conquistei o respeito da tropa pelas minhas ações”, afirmou.
Ser a única mulher na linha de frente da megaoperação trouxe uma sensação especial de responsabilidade.
“Eu já havia atuado no Complexo da Penha em agosto de 2024 e sabia que seria uma missão difícil. Além de buscar o êxito nas ocorrências, eu precisava garantir a segurança dos meus comandados”, declarou.
Planejamento e bastidores
Segundo o governador Cláudio Castro, a megaoperação estava sendo planejada há mais de um ano, com o objetivo de capturar líderes do Comando Vermelho.
De acordo com Kelly, sua equipe foi informada apenas um dia antes da ação. “Fomos avisados no dia anterior, fizemos o planejamento e, no dia seguinte, realizamos a preleção com as equipes escaladas”, contou.
Os policiais estavam equipados com fuzis e armamentos não letais, como granadas explosivas e de gás lacrimogêneo, que também foram utilizados durante a operação.
Missão e família

tenente Kelly Patrícia Camara da Silva (Foto: Arquivo Pessoal)
Solteira e sem filhos, Kelly revela que a família ainda sofre com a preocupação diante da rotina perigosa.
“Eles ficam muito apreensivos, mas eu costumo não avisar quando vou para uma operação”, confessa.
Determinada, a tenente resume sua vocação em três palavras:
“Servir e proteger a sociedade.”
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