Anderson Torres, condenado a 24 anos por tentativa de golpe, não foi encontrado pela PF em sua casa no DF. O STF declarou o trânsito em julgado e determinou o início da execução da pena no 19º BPM (Papudinha). A condenação inclui ações para dificultar a votação em 2022, omissão em 8 de janeiro e a minuta golpista apreendida em sua residência.

Anderson Torres não é encontrado pela PF para cumprir pena de 24 anos por tentativa de golpe

O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, condenado a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, não foi encontrado em sua residência no Jardim Botânico, área nobre de Brasília, na tarde desta terça-feira (25). Agentes da Polícia Federal foram até o endereço para cumprir a ordem de prisão, mas encontraram apenas a esposa do ex-ministro no local, as informações são do Portal Metrópoles.

Ex-delegado da PF, Torres — quando localizado — deverá cumprir a pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ordem de prisão foi expedida após o STF declarar o trânsito em julgado do processo para Torres, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus do núcleo 1 da trama golpista, como Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin. Os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira também foram presos nesta terça, com o Exército preparando celas para ambos no Comando Militar do Planalto. O almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, igualmente foi detido em Brasília.

Na segunda-feira (24), Torres havia pedido ao STF para cumprir a pena na Superintendência da Polícia Federal ou no Batalhão de Aviação Operacional (Bavop), alegando um quadro de depressão diagnosticado desde sua prisão em janeiro de 2023. A defesa afirmou que ele faz uso contínuo de venlafaxina (antidepressivo) e olanzapina (antipsicótico), e que sua condição psicológica tornaria “incompatível” o cumprimento de pena em presídio comum, por risco à integridade física e emocional.

A condenação

A Primeira Turma do STF condenou Anderson Torres a 24 anos de prisão, sendo 21 anos e seis meses de reclusão e 2 anos e seis meses de detenção. Ele foi acusado de usar o cargo para desvirtuar a realidade das eleições de 2022. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, em 30 de outubro daquele ano, o Ministério da Justiça — comandado por Torres — articulou uma operação para que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) dificultasse a chegada de eleitores às urnas em regiões favoráveis a Lula.

A condenação também levou em conta sua atuação durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. À época secretário de Segurança Pública do DF, ele deixou o país dois dias antes da invasão aos Três Poderes, ignorando alertas de inteligência sobre risco de ataques.

Os ministros ainda mencionaram a minuta de decreto golpista encontrada em sua casa, documento que previa intervenção irregular na Justiça Eleitoral. Para o STF, a minuta reforça o contexto de articulação para subverter o resultado das eleições e instaurar um estado de exceção no país.

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