A disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em cidades do interior e litoral de São Paulo começou a preocupar autoridades e especialistas em segurança pública. Historicamente dominante no estado, o PCC agora enfrenta movimentações da facção rival em regiões onde antes praticamente não havia concorrência criminosa.

Foto: Reprodução.
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A disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em cidades do interior e litoral de São Paulo começou a preocupar autoridades e especialistas em segurança pública. Historicamente dominante no estado, o PCC agora enfrenta movimentações da facção rival em regiões onde antes praticamente não havia concorrência criminosa.

Investigadores apontam avanço do Comando Vermelho em regiões estratégicas de São Paulo, antes dominadas pelo PCC. Foto: Reprodução.

Um dos casos que chamou atenção aconteceu em dezembro do ano passado, em Ubatuba, no litoral norte paulista. Um homem e um adolescente foram mortos a tiros dentro de um carro na Estrada de Camburi. As investigações apontam que o crime teria relação direta com a disputa entre PCC e CV.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a presença do Comando Vermelho em território paulista está concentrada principalmente em cidades próximas à divisa com o Rio de Janeiro, como Ubatuba, Bananal, Cruzeiro e Caraguatatuba, além da região de Piracicaba.

PCC mudou foco e abriu espaço para rivais

Nos últimos anos, a facção ampliou sua atuação para o tráfico internacional de drogas e passou a movimentar dinheiro em setores legais da economia, como combustíveis e sistema financeiro.

Com isso, o varejo de drogas em bairros e periferias deixou de ser prioridade para parte da organização.

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, o tráfico internacional oferece lucros muito maiores e menos riscos do que manter pontos locais de venda de drogas.

“O tráfico interno dá mais trabalho e menos dinheiro. Já o tráfico internacional pode render cifras milionárias”, explicou o promotor à BBC News Brasil.

A partir desse movimento, regiões antes controladas pelo PCC passaram a ser disputadas por criminosos locais e também pelo Comando Vermelho.

CV avança através de alianças locais

Diferentemente do modelo adotado em comunidades do Rio de Janeiro, onde o Comando Vermelho mantém domínio territorial armado, em São Paulo a facção atua principalmente por meio de alianças com grupos criminosos locais.

Cidades do litoral norte e interior paulista passaram a registrar aumento de conflitos ligados às facções. Foto: Reprodução.

Na região de Piracicaba, por exemplo, autoridades identificaram ligação entre o CV e o chamado “Bonde do Magrelo”, grupo investigado por homicídios violentos e uso de armamento pesado.

Operações recentes da Polícia Militar e do Ministério Público prenderam suspeitos ligados ao grupo em cidades como Rio Claro e Paulínia.

Jovens já não seguem regras do PCC

Outro ponto que preocupa investigadores é a mudança de comportamento das novas gerações envolvidas com o crime.

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Segundo especialistas, muitos jovens criminosos já não demonstram a mesma ligação ideológica com o PCC, criado nos anos 1990 dentro do sistema prisional paulista. Hoje, o principal interesse seria financeiro.

Pesquisadores afirmam que regras históricas da facção passaram a ser ignoradas, incluindo proibições de roubos em bairros periféricos e normas internas de comportamento.

A perda de controle também já começa a ser percebida dentro dos presídios paulistas, segundo autoridades.

Especialistas descartam guerra aberta,  por enquanto

Apesar do avanço do Comando Vermelho em algumas regiões, especialistas afirmam que o PCC ainda mantém hegemonia em São Paulo.

Mesmo assim, autoridades acompanham com preocupação o crescimento dessas novas alianças criminosas e temem uma escalada da violência semelhante à registrada em outros estados do país.

São Paulo chegou a registrar recordes de homicídios no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, período marcado justamente por disputas entre grupos criminosos rivais.

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