O Brasil voltou ao radar de possíveis sanções comerciais dos Estados Unidos após ser incluído em uma investigação aberta pelo governo do presidente Donald Trump. A medida ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasília e Washington, agravada pela decisão do Itamaraty de revogar o visto de um assessor do governo americano.

Brasil entra no radar de Donald Trump em meio a tensão diplomática

O Brasil voltou ao radar de possíveis sanções comerciais dos Estados Unidos após ser incluído em uma investigação aberta pelo governo do presidente Donald Trump. A medida ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasília e Washington, agravada pela decisão do Itamaraty de revogar o visto de um assessor do governo americano.

Além da investigação comercial, a relação entre os dois países ficou mais sensível após o Ministério das Relações Exteriores barrar a entrada do diplomata Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado. Segundo o governo brasileiro, o visto foi cancelado por “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita”. Beattie pretendia vir para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, e também se reunir com lideranças da direita. O episódio elevou o clima de tensão diplomática entre os dois governos.

Investigação comercial dos EUA

A investigação foi aberta pela Representação Comercial dos Estados Unidos, conhecida como USTR, e inclui o Brasil entre 59 países analisados por supostas práticas consideradas desleais no comércio internacional. O procedimento se baseia no Artigo 301 da Lei de Comércio de 1974 e tem como foco suspeitas relacionadas ao uso de trabalho forçado ou condições análogas à escravidão em cadeias produtivas.

Segundo o governo americano, o objetivo é avaliar se determinados países falham em impedir a circulação ou importação de produtos fabricados com esse tipo de prática, o que poderia gerar vantagem competitiva considerada injusta no comércio global.

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Estratégia para retomar tarifas

Analistas avaliam que a investigação pode ser uma estratégia de Washington para contornar uma decisão da Suprema Corte americana que suspendeu o chamado “tarifaço” anunciado por Trump em 2025. Na época, a medida havia sido baseada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977, utilizada pelo governo americano para justificar a imposição de tarifas mais elevadas a diversos países.

O ex-embaixador do Brasil em Washington e Londres, Rubens Barbosa, afirma que a nova investigação pode abrir caminho para restabelecer parte dessas tarifas. Segundo ele, mesmo que os valores não sejam os mesmos anunciados anteriormente, há possibilidade de novas cobranças sobre produtos exportados para o mercado norte-americano.

Possíveis impactos

Para especialistas em comércio internacional, a abertura do processo já gera efeitos antes mesmo de qualquer decisão final. Além do impacto comercial, especialistas apontam possíveis efeitos diplomáticos, já que o governo brasileiro terá de responder tecnicamente às acusações levantadas pelos Estados Unidos.

Para alguns analistas, há também o risco de que temas legítimos, como o combate ao trabalho forçado, sejam utilizados como instrumentos de pressão econômica nas disputas comerciais globais.

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