A decisão ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), analisou o pedido de visita ao ex-presidente e solicitou esclarecimentos ao Itamaraty sobre a agenda do assessor norte-americano no país. Segundo o governo brasileiro, o encontro poderia ser interpretado como interferência em assuntos internos do Brasil.

Darren Beattie, assessor de Trump  (Foto: Departamento de Estado dos EUA/Divulgação)
Darren Beattie, assessor de Trump (Foto: Departamento de Estado dos EUA/Divulgação)

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) anunciou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tinha viagem marcada ao Brasil na próxima semana. A visita incluía um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra detido na Papudinha.

Segundo informações da diplomacia brasileira, a decisão segue o princípio da reciprocidade internacional, prática comum adotada por diversos países, incluindo os Estados Unidos, para situações de concessão e cancelamento de vistos.

O pedido de encontro com Bolsonaro, autorizado pela defesa de Beattie, também foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é responsável por avaliar e aprovar solicitações desse tipo. Fontes do governo reforçam que a revogação do visto reflete tanto critérios legais quanto normas diplomáticas internacionais.

Lula condiciona entrada de americano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o assessor de Donald Trump, Darren Beattie, só poderá entrar no Brasil quando for liberado o visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para viajar aos Estados Unidos.

“Esse americano que disse que viria para visitar Jair Bolsonaro foi proibido de entrar no país. Ele só poderá vir quando os vistos do ministro Padilha, que estão bloqueados, forem liberados”, declarou Lula.

Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. O visto do próprio ministro não foi revogado, pois já havia vencido.

Fontes da diplomacia brasileira informaram à GloboNews que o governo entende que o secretário do governo Trump não informou corretamente o motivo da viagem ao solicitar o visto, o que motivou a restrição.

Defesa de Bolsonaro solicita visita de assessor de Trump

Na terça-feira (10), a equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou um pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que a visita de Darren Beattie, assessor do ex-presidente Donald Trump, fosse autorizada de forma excepcional na segunda (16) ou na terça-feira (17), alegando compromissos de agenda do norte-americano.

Bolsonaro está detido na Papudinha, em Brasília, cumprindo pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Todas as visitas ao ex-presidente precisam da aprovação de Moraes, responsável pelo processo que resultou na prisão.

O ministro autorizou a visita, mas determinou que ela ocorresse na quarta-feira (18), respeitando o calendário habitual de visitas da unidade prisional, que normalmente acontecem às quartas e sábados. No dia seguinte, a defesa solicitou novamente que a data fosse reconsiderada, mantendo a justificativa relacionada à agenda do visitante.

Moraes consulta Itamaraty sobre agenda do assessor de Trump

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do assessor de Donald Trump no Brasil.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores destacou que o encontro de um representante norte-americano com o ex-presidente Jair Bolsonaro “pode configurar interferência indevida nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

Diante da posição do governo, Moraes decidiu revogar a autorização para a visita, impedindo que Beattie tivesse contato com Bolsonaro na Papudinha, em Brasília.

Leia mais no BacciNotícias

Vídeos curtos

Mais lidas