Caminhoneiros de todo o país decidiram suspender a greve após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar uma medida provisória que endurece as regras do frete rodoviário. A iniciativa atende à principal demanda da categoria, que cobrava a revisão dos valores pagos diante da alta dos custos, especialmente do diesel. Apesar da suspensão da paralisação, lideranças afirmam que a categoria segue em estado de alerta. A medida também prevê maior fiscalização e punições para empresas que descumprirem o piso mínimo do frete.
A ameaça de greve dos caminhoneiros foi suspensa nesta quinta-feira (19) após o governo federal anunciar novas medidas para atender às demandas da categoria. A decisão veio depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que reforça a política de preços mínimos do frete.
A principal reivindicação dos caminhoneiros era a revisão dos valores pagos pelo transporte de cargas, considerados defasados diante do aumento dos custos operacionais, especialmente do diesel.
O presidente da Abrava, Wallace Landim, comemorou o avanço, mas destacou que a mobilização continua. “A gente vem trabalhando mais de oito anos para conquistar isso. É um ganho da categoria. Agora vamos trabalhar em conjunto com as lideranças”, afirmou.
Apesar da suspensão da paralisação, ele ressaltou que a categoria permanece em alerta enquanto acompanha possíveis ajustes no texto da medida.
Alta do diesel pressionou categoria
A mobilização dos caminhoneiros ganhou força nos últimos dias devido ao aumento expressivo no preço do diesel. O combustível chegou a cerca de R$ 6,80, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
De acordo com levantamentos do setor, houve alta de aproximadamente 18% desde o início de tensões no Oriente Médio, envolvendo conflitos entre países como Estados Unidos, Israel e Irã.
Diante desse cenário, a categoria chegou a planejar uma paralisação nacional ainda nesta semana.
O que muda com a medida
A medida provisória assinada pelo governo estabelece mecanismos mais rígidos de controle sobre as operações de frete. Uma das principais mudanças é a obrigatoriedade do registro das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).
Com o sistema, será possível monitorar valores pagos e garantir o cumprimento do piso mínimo do frete. A Agência Nacional de Transportes Terrestres poderá identificar irregularidades e até bloquear operações realizadas abaixo do valor legal.
Empresas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções que vão desde a suspensão do registro até o cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos, em casos mais graves.
Já os transportadores autônomos não serão penalizados com esse tipo de suspensão.
Governo tenta conter impacto nos combustíveis
Além da medida provisória, o governo federal também intensificou articulações para reduzir o impacto do aumento do diesel. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que haverá maior rigor na fiscalização.
“Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado”, declarou.
Outra estratégia em discussão envolve negociações com estados para reduzir o ICMS sobre combustíveis, principal imposto que incide sobre o diesel.
Mesmo com a suspensão da greve, o cenário ainda é de atenção, e novas decisões devem depender da efetividade das medidas anunciadas pelo governo.
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