A Justiça de São Paulo negou o pedido de absolvição sumária do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a PM Gisele Alves Santana. A magistrada considerou válidos os indícios reunidos pela investigação, que aponta feminicídio e fraude processual. Audiências com testemunhas, familiares e o interrogatório do oficial já foram marcados para o fim de junho e início de julho.
A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira (21) o pedido de absolvição sumária apresentado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a policial militar Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, no centro da capital paulista.

Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução/Instagram
A absolvição sumária é uma decisão judicial que encerra um processo criminal antes do julgamento, quando a Justiça entende que não há elementos suficientes para sustentar a acusação.
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Ao rejeitar o pedido, a juíza Michelle Porto de Medeiros considerou válidos os elementos reunidos durante as investigações conduzidas pela Polícia Militar no Inquérito Policial Militar (IPM). Segundo a magistrada, os indícios apresentados são suficientes para manter a denúncia oferecida pelo Ministério Público e permitir o prosseguimento da ação penal.
Audiências já têm datas definidas
Além de negar o pedido da defesa, a Justiça definiu o cronograma das próximas audiências do caso.
No dia 29 de junho, às 9h30, serão ouvidos o delegado responsável pela investigação, Lucas de Souza Lopes, peritos criminais, policiais militares e uma vizinha do casal.
Já no dia 30 de junho, também às 9h30, prestam depoimento policiais militares e uma testemunha protegida.
Em 1º de julho, às 9h30, serão ouvidos os pais de Gisele e a filha da policial, que falará em depoimento especial.
No dia 2 de julho, às 9h30, outros policiais militares, incluindo um coronel, devem ser interrogados.
O interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi marcado para o dia 3 de julho, às 10h.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que ainda não há data definida para o julgamento.
Investigação aponta feminicídio e fraude processual
Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente desde 17 de março. Ele foi indiciado por feminicídio e fraude processual.
Segundo a investigação, o oficial matou a esposa e alterou a cena do crime para simular um suicídio. O tenente-coronel alegou que Gisele teria tirado a própria vida enquanto ele tomava banho, após uma conversa sobre separação.
No entanto, a perícia concluiu que a versão apresentada não é compatível com os vestígios encontrados no apartamento.
A bala que matou a policial saiu da arma do próprio oficial. Peritos apontaram inconsistências na posição do corpo, da arma e da poça de sangue, indicando que a cena teria sido manipulada.
Laudos contradizem versão apresentada pelo oficial
Os legistas também identificaram sinais de esganadura no pescoço e no rosto da vítima. Segundo os peritos, Gisele foi imobilizada e provavelmente estava desacordada no momento do disparo.
Vestígios de sangue foram encontrados em outros cômodos do apartamento, incluindo o banheiro.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o intervalo entre o disparo e o pedido de socorro. Uma vizinha afirmou ter ouvido o tiro às 7h30 da manhã, mas o tenente-coronel só acionou ajuda cerca de meia hora depois.
“Qualquer hora me mata”, escreveu Gisele
Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, em dezembro do ano passado, também passaram a integrar a investigação.
Nos textos, a policial relatava medo do comportamento do marido e dizia viver um relacionamento conturbado.
“Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego, não tenho como controlar o que falam”, escreveu.
A investigação também incorporou um áudio enviado por Gisele ao pai, em que ela demonstrava intenção de deixar o apartamento onde vivia com o marido e procurar uma casa mais próxima da família.
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