Novos detalhes sobre o julgamento da morte de Henry Borel vieram à tona e revelaram divergências entre os jurados em relação aos episódios de agressão sofridos pelo menino antes de sua morte, em março de 2021.

Jairinho e Monique Medeiros durante último dia do julgamento do caso Henry (Foto: Brunno Dantas / TJRJ)
Jairinho e Monique Medeiros durante último dia do julgamento do caso Henry (Foto: Brunno Dantas / TJRJ)

Novos detalhes sobre o julgamento da morte de Henry Borel vieram à tona e revelaram divergências entre os jurados em relação aos episódios de agressão sofridos pelo menino antes de sua morte, em março de 2021.

Foto: arquivo pessoal

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, três dos sete jurados entenderam que o ex-vereador Dr. Jairinho não torturou Henry em um dos episódios analisados durante o julgamento, ocorrido semanas antes da morte da criança.

Vídeo de Henry mancando foi analisado pelo júri

Um dos momentos centrais do julgamento envolveu um episódio ocorrido em 12 de fevereiro de 2021.

Na ocasião, a babá Thayna de Oliveira registrou em vídeo Henry mancando após o menino permanecer cerca de dez minutos sozinho em um quarto com Jairinho. As imagens foram enviadas para Monique Medeiros, mãe da criança, que estava fora de casa naquele momento.

Ainda segundo a investigação, Henry relatou à mãe, durante uma chamada de vídeo, que havia levado uma “banda”, uma espécie de rasteira, aplicada pelo padrasto.

Para a Promotoria, as mensagens trocadas entre a babá e Monique demonstravam que a mãe havia sido alertada sobre possíveis agressões contra o filho.

jurados divergiram sobre episódios de tortura atribuídos a Jairinho durante julgamento mesmo após vídeo expor agressões (Foto: Reprodução)

Jurados ficaram divididos sobre caracterização de tortura

O quesito 13 do julgamento questionava se Henry havia sido submetido a intenso e desnecessário sofrimento físico e mental mediante violência naquele episódio.

Quatro jurados responderam positivamente, reconhecendo a ocorrência de tortura. Outros três votaram de forma contrária.

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A divisão também ocorreu em relação a outro episódio investigado, ocorrido em 8 de março de 2021, poucas semanas antes da morte da criança.

No quesito 17, relacionado a essa ocorrência, quatro jurados entenderam que não havia ficado comprovada a tortura, enquanto apenas dois reconheceram a prática.

Júri reconheceu coação de testemunhas

Por outro lado, a maioria dos jurados concluiu que Jairinho atuou para constranger testemunhas envolvidas no caso.

Segundo o quesito 21, por quatro votos a um, o júri entendeu que a babá Thayna de Oliveira e Leila Rosangela de Souza, funcionária da família, foram pressionadas a omitir informações durante os depoimentos prestados à polícia.

Monique Medeiros também foi considerada participante da coação, conforme o mesmo entendimento dos jurados.

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Ministério Público contesta resultado

Após o julgamento, o Ministério Público apresentou recurso questionando parte da decisão.

Segundo o promotor Fábio Vieira, uma das principais controvérsias envolve a formulação de um quesito submetido aos jurados.

De acordo com o representante do MP, uma alteração realizada pela juíza Elizabeth Louro teria influenciado a interpretação sobre a responsabilidade de Monique Medeiros diante das agressões sofridas pelo filho.

Caso pode voltar a julgamento

Se o recurso do Ministério Público for aceito pela Justiça, o julgamento poderá ser anulado e um novo júri poderá ser realizado.

Nesse cenário, os promotores pretendem pedir o afastamento do perdão judicial e defender uma punição mais severa para Monique Medeiros.

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