O cometa 3I/ATLAS, vindo de fora do Sistema Solar, pode ser o objeto mais antigo já observado. Com idade estimada em mais de sete bilhões de anos, ele exibe jatos de gás e poeira em direção ao Sol. Astrônomos aguardam sua passagem próxima à estrela para confirmar a composição e origem do cometa, que pode ajudar a desvendar a história da Via Láctea e da formação planetária.

Cientista alerta que confirmação do cometa 3I/ATLAS será revelada após passagem pelo Sol
Cientista alerta que confirmação do cometa 3I/ATLAS será revelada após passagem pelo Sol

Astrônomos de diversos países acompanham com atenção a trajetória do cometa 3I/ATLAS, um raríssimo objeto interestelar que atravessa o Sistema Solar e pode ser o mais antigo já registrado. De acordo com especialistas, a confirmação definitiva de sua composição e origem será possível apenas após a passagem pelo Sol, prevista para o fim deste mês.

Descoberto em 1º de julho de 2025 por um telescópio no Chile, o 3I/ATLAS está a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol e viaja a uma velocidade impressionante de 221 mil km/h. Estimativas indicam que ele pode ter mais de sete bilhões de anos, o que o tornaria três bilhões de anos mais velho que o próprio Sistema Solar.

“É um objeto de uma parte da galáxia que nunca vimos de perto antes. Acreditamos que há grandes chances de que este cometa seja mais antigo que o Sistema Solar e esteja vagando pelo espaço interestelar desde então”, afirmou o astrofísico Chris Lintott, da Universidade de Oxford.

O núcleo do 3I/ATLAS, com diâmetro estimado entre 5 e 11 quilômetros, vem emitindo jatos de gás e poeira direcionados ao Sol — um comportamento natural em cometas que se aproximam da estrela. As imagens capturadas pelo Observatório de Teide, nas Ilhas Canárias, mostram detalhes inéditos desse fenômeno.

Segundo o astrônomo Marcelo de Cicco, o objeto provavelmente se originou em uma das regiões mais antigas da Via Láctea, conhecida como disco espesso, onde estão as estrelas formadas nos primeiros bilhões de anos da galáxia.

“Esse cometa parece vir de um sistema muito antigo, quando a Via Láctea começou a se formar, há cerca de 10 a 12 bilhões de anos”, explicou o pesquisador.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro cometa interestelar já identificado por cientistas, ao lado do ʻOumuamua (2017) e do Borisov (2019). Por sua raridade, o objeto está sendo monitorado por telescópios e sondas da Nasa e de outras agências espaciais, com o objetivo de coletar dados sobre sua composição química e trajetória.

Especialistas afirmam que a análise das partículas liberadas durante a aproximação solar pode revelar novas informações sobre a formação dos sistemas planetários e até sobre as origens do próprio universo.

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