A proximidade do prazo legal de desincompatibilização deve provocar uma ampla reformulação no primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ana Volpe/Agência Senado
Ana Volpe/Agência Senado

A proximidade do prazo legal de desincompatibilização deve provocar uma ampla reformulação no primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até abril, pelo menos 17 dos 38 ministros podem deixar os cargos para disputar as eleições deste ano, conforme determina a legislação eleitoral.

Nos bastidores, a estratégia do Palácio do Planalto é utilizar a Esplanada dos Ministérios como plataforma para fortalecer a base aliada no Congresso Nacional, mirando um eventual quarto mandato de Lula.

Gleisi Hoffmann e a articulação política

Um dos movimentos considerados mais sensíveis envolve a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ela confirmou na quarta-feira (21) que é pré-candidata ao Senado pelo Paraná, o que exige seu afastamento do cargo até o prazo legal.

A sucessão na pasta responsável pela articulação política do governo ainda não está definida. Pelo desenho tradicional, o comando poderia ficar com o secretário-executivo, o diplomata Marcelo Costa, mas a decisão ainda não foi oficializada.

Inicialmente, Gleisi avaliava disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, cargo do qual está licenciada. A mudança de estratégia ocorreu após um pedido direto do presidente Lula, que vê a candidatura ao Senado como fundamental para ampliar a bancada do PT e conter o plano do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de formar maioria na Casa.

Fernando Haddad e a equipe econômica

O presidente também avalia o futuro do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP). Embora Haddad tenha afirmado publicamente que não pretende concorrer nas eleições, Lula trabalha com a possibilidade de lançá-lo ao Senado por São Paulo ou ao Governo do Estado.

Caso Haddad deixe o cargo, o nome mais cotado para assumir a pasta é o do atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.

Rui Costa e a Casa Civil

Outro auxiliar próximo de Lula que pode deixar o governo é o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA). Ele é cotado tanto para disputar uma vaga no Senado quanto para retornar à corrida pelo Governo da Bahia.

Se confirmar a saída, a tendência é que a secretária-executiva Miriam Belchior assuma o comando da Casa Civil.

Simone Tebet e o Planejamento

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também deve deixar o cargo para disputar novamente uma vaga no Senado. Nos bastidores, aliados avaliam que ela pode concorrer por São Paulo, diante da perda de espaço político no Mato Grosso do Sul após apoiar Lula no segundo turno de 2022.

O assessor especial da Casa Civil Bruno Moretti é apontado como possível substituto na pasta.

Sidônio Palmeira e a comunicação

O secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira, também deve se afastar do cargo, mas para coordenar a campanha de reeleição de Lula. Como não disputará cargo eletivo, ele não está sujeito ao prazo legal de desincompatibilização.

Anielle Franco e Geraldo Alckmin

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e, por isso, também precisa deixar o cargo até abril.

No cenário paulista, Lula avalia lançar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao Governo de São Paulo, caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) concorra à Presidência. Mesmo que permaneça como vice, Alckmin deverá deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que pode ficar sob comando do secretário-executivo Márcio Elias Rosa.

Margareth Menezes e Camilo Santana

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, é incentivada por aliados, incluindo a primeira-dama Janja, a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A cantora avalia o convite para se filiar ao PT, mas ainda não tomou decisão.

O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), senador licenciado, é pressionado a concorrer ao Governo do Ceará caso Ciro Gomes entre na disputa. Camilo nega a intenção e afirma que deve atuar na campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas.

Outros ministros que podem deixar o governo

Outros integrantes do primeiro escalão já sinalizaram que pretendem disputar cargos eletivos. O ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), deve concorrer a uma vaga na Câmara pelo Pará. André de Paula (PSD), da Pesca; Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos; e Waldez Góes (PDT), da Integração, também comunicaram ao Planalto a intenção de deixar os cargos.

Na área ambiental, a ministra Marina Silva (Rede-SP) é citada como possível candidata ao Senado por São Paulo, o que exigiria seu afastamento do governo.

O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), confirmou que deixará o cargo para disputar o Governo de Alagoas. Já a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), trabalha para tentar a reeleição como deputada federal por São Paulo.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), planeja disputar novamente uma vaga no Senado por Mato Grosso.

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