A mãe de uma das crianças vítimas de abuso coletivo no bairro União Vila Nova, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, revelou que o filho de 7 anos estava sob os cuidados do padrasto momentos antes do crime.

Criança vítima de estupro coletivo estava com padrasto antes do crime, revela mãe (Foto: Reprodução)
Criança vítima de estupro coletivo estava com padrasto antes do crime, revela mãe (Foto: Reprodução)

A mãe de uma das crianças vítimas de estupro coletivo no bairro União Vila Nova, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, revelou que o filho de 7 anos estava sob os cuidados do padrasto momentos antes do crime.

Preso na Bahia (Foto: /Reprodução/GCM de Brejões)

Em entrevista ao programa Brasil do Povo, da RedeTV!, a mulher, que não teve a identidade divulgada, afirmou que sempre cuidou do filho, mas que, no dia do ocorrido, precisou se ausentar e deixou a criança com o companheiro.

Segundo o relato, ela estava em Itaquaquecetuba quando o menino permaneceu na residência com o padrasto. A mãe acredita que o filho tenha saído para brincar na rua nesse período, quando o crime teria ocorrido.

Eu estava em Itaqua, ele ficou aqui com o padrasto. Acho que ele deve ter saído para brincar e aconteceu o que aconteceu”, disse.

A mulher também afirmou que o padrasto é alcoólatra e que, apesar de não manter mais um relacionamento com ele há cerca de oito anos, o homem ainda tinha convivência com a criança.

“O padrasto dele é alcoólatra. Eu não convivo com ele há oito anos, mas ele tinha um laço com meu filho. Ele dormia bêbado e meu filho saía para a rua”, relatou.

Filhos foram retirados após investigação

Após o caso vir à tona, a mulher passou a ser investigada por abandono de incapaz. Como medida de proteção, o Conselho Tutelar determinou a retirada dos três filhos da residência. Ela afirma que a decisão tem causado sofrimento às crianças e à família.

“Eles estão sofrendo, estão pedindo por mim, infelizmente por causa dos vídeos que mandaram pro conselho tutelar, eles tiraram meus filhos de mim”, lamentou.

Entenda o caso

De acordo com as investigações, as vítimas são dois meninos.  O crime teria ocorrido no dia 21 de abril, no feriado de Tiradentes, em um campo de futebol da região.

Pelo menos cinco pessoas são apontadas como suspeitas, sendo um adulto e quatro adolescentes. Ao longo deste fim de semana, três jovens foram detidos e o único adulto foi preso na Bahia, após fugir do local do crime. 

Um dos pontos que mais chocam no caso é a informação de que os abusadores teriam gravado a violência e divulgado as imagens na internet. Vídeos e áudios atribuídos ao crime passaram a circular nas redes sociais, aumentando a comoção pública. O Bacci Notícias teve acesso aos conteúdos mas optou por não divulgá-las devido ao grau de crueldade contra as vítimas.

As duas crianças recebem acompanhamento especializado e estão sob proteção do poder público. Uma delas foi acolhida por um programa municipal em Guaianases, enquanto a outra está sob os cuidados do pai, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

Denúncia foi feita dias depois por medo

Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, a denúncia só foi formalizada três dias após o ocorrido. O atraso teria sido causado pelo medo das famílias em procurar as autoridades.

As crianças e seus familiares estão sob proteção e recebem acompanhamento do Conselho Tutelar, além de suporte necessário.

“Esse caso é revoltante, choca, e não pode ser tratado como algo normal. Os abusadores agem, na maioria das vezes, na sombra do medo, da omissão e da falta de denúncia aos órgãos públicos”, declarou.

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