Durante a votação da PEC que extingue a escala 6×1, o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) viralizou ao defender a redução da jornada para que os trabalhadores possam “fazer sexo em paz” e “ter mais filhos”. A proposta que reduz a carga para 40 horas semanais foi aprovada na Câmara e segue para análise do Senado.

Deputado defende fim da escala 6×1 argumentando necessidade de ‘fazer sexo em paz’; assista

A histórica votação que determinou o fim da escala de trabalho 6×1 na Câmara dos Deputados foi marcada por um discurso inusitado que rapidamente dominou os debates nas plataformas digitais. Durante a orientação de bancada na noite desta quarta-feira (27), o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) subiu à tribuna para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 sob uma ótica singular.

O parlamentar baiano argumentou que a exaustiva jornada atual adoece a população e que a mudança é necessária para que os trabalhadores possam “fazer seu sexo em paz” e ter tempo para “fazer filhos”.

O pronunciamento oficial foi proferido no momento em que a Casa orientava a votação do requerimento de encerramento de discussão da matéria, que acabou aprovada em dois turnos por uma maioria esmagadora de 461 votos favoráveis contra apenas 19 contrários. A fala do vice-líder do Avante quebrou a formalidade estritamente técnica do plenário e gerou reações mistas de surpresa e descontração entre os deputados presentes.

“Trabalhador não é escravo”, dispara parlamentar ao associar cansaço crônico à crise familiar

A argumentação do Pastor Sargento Isidório focou nos impactos biológicos e psicológicos causados pelo atual modelo de contratação regulamentado pela CLT. Segundo o deputado, o acúmulo de estresse e a falta de repouso adequado comprometem diretamente a produtividade econômica do país e a estabilidade dos lares brasileiros.

“O trabalhador doente, além de não render, quebra a máquina. E nessa escala 5×2, além de melhorar a vida das famílias, os trabalhadores e trabalhadoras terão tempo, inclusive, para terem mais filhos, portanto, fazerem seu sexo em paz e com mais tranquilidade”, declarou textualmente o parlamentar na tribuna.

Na sequência de seu discurso, Isidório subiu o tom e classificou o regime de seis dias consecutivos de trabalho como análogo à exploração histórica. “O Avante vota sim, porque nós não somos escravos. Trabalhadores e trabalhadoras não são escravos, são seres humanos, têm dignidade e são a alavanca do progresso de uma nação”, concluiu ao consolidar o voto favorável do partido.

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O que muda com o texto aprovado?

O texto-base aprovado pelos deputados, costurado pelo relator Leo Prates (Republicanos-BA), altera de forma profunda as regras contratuais brasileiras. A PEC estabelece que a duração do trabalho normal não poderá ser superior a 8 horas diárias e 40 horas semanais (um corte de 4 horas em relação ao limite atual de 44 horas), com a obrigatoriedade de duas folgas semanais e sem qualquer tipo de redução ou desconto proporcional nos salários vigentes.

O texto prevê a possibilidade de escalas móveis e flexíveis para garantir o funcionamento de atividades essenciais e ininterruptas, como as áreas de saúde e segurança pública, desde que os dois dias de descanso semanais sejam usufruídos dentro do mesmo mês.

Pauta econômica do governo Lula enfrenta calendário apertado

A aprovação em dois turnos na Câmara representa uma vitória crucial para a agenda macroeconômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que elegeu a proposta como o principal item social e trabalhista para o ano de 2026. A forte articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar a votação na comissão especial e inseri-la imediatamente na Ordem do Dia evitou que a matéria ficasse travada pela burocracia das comissões.

O debate ocorreu sob forte pressão do relógio político do Congresso Nacional. Com o início do recesso parlamentar agendado constitucionalmente para o mês de julho devido à campanha para as eleições presidenciais, os deputados precisavam liquidar a matéria antes de o foco do parlamento migrar integralmente para os palanques regionais. As atividades regulares das Casas só serão retomadas de forma plena em outubro, logo após o desfecho do primeiro turno eleitoral.

Com o encerramento do ciclo de votações na Câmara, o projeto de emenda constitucional será encaminhado oficialmente para o Senado Federal, onde começará a tramitar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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