Uma empresária que realizou um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), apenas um dia antes da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, falou com exclusividade ao portal Bacci Notícias sobre a experiência vivida no local e revelou situações que, segundo ela, levantaram preocupações relacionadas à segurança da atividade.

 Thais Macedo - Empresária Pulou de rope jump um dia antes da tragédia com Eduarda (Foto: Arquivo Pessoal)
Thais Macedo - Empresária Pulou de rope jump um dia antes da tragédia com Eduarda (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma empresária que realizou um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), apenas um dia antes da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, falou com exclusividade ao portal Bacci Notícias sobre a experiência vivida no local e revelou situações que, segundo ela, levantaram preocupações relacionadas à segurança da atividade.

Jovem em Rope jump (Foto: reprodução)

Thais Macedo participou do salto na sexta-feira (12), enquanto o acidente fatal ocorreu no sábado (13). Em entrevista, ela contou que inicialmente sentiu confiança nos procedimentos apresentados pela equipe, mas afirmou ter presenciado situações que a deixaram apreensiva.

“Poderia ter sido comigo”, diz empresária

Ao comentar a tragédia, Thais relatou o impacto emocional ao descobrir que o acidente aconteceu no mesmo local onde ela havia saltado horas antes.

“Fiquei simplesmente trêmula, incrédula. Poderia ter sido comigo, poderia ter sido com as crianças que fizeram a mesma prática. Só soube agradecer a Deus por mais um livramento e pedir muita proteção. Infelizmente, a Eduarda foi vítima de pessoas irresponsáveis e sem noção para tal serviço”, afirmou.

Segundo ela, cerca de 40 pessoas participaram da atividade no dia em que esteve na ponte, incluindo adolescentes e crianças.

“No primeiro momento você fica realmente em choque por ser muito alto, mas a equipe passa uma sensação de segurança e conversa bastante com você para tentar fazer esquecer a altura. A sensação melhora quando você sente que a corda te segurou e está tudo bem”, relatou.

Acesse o canal BNTV no Youtube

Empresária afirma que pediu diversas conferências no equipamento

Thais afirmou que solicitou repetidas verificações dos equipamentos antes do salto.

“Me senti segura depois de eu mesma pedir para os funcionários verificarem meu equipamento pelo menos cinco vezes. Além disso, várias pessoas conferiram o fechamento da corda corretamente”, disse.

Ela também afirmou ter estranhado a hipótese de uma participante ser lançada sem o equipamento de proteção conectado.

“O que mais me chamou a atenção foi que haviam duas cordas para garantir a segurança. Não faz sentido esquecerem a da Eduarda.”

A empresária explicou ainda que, na modalidade conhecida como “aviãozinho”, os participantes são orientados apenas a abrir os braços antes do lançamento.

“Eles pedem para você abrir os braços e se preparar, porque te lançam sem que você perceba exatamente o momento.”

Leia também:

Relato aponta suposto reparo improvisado em corda

Um dos trechos mais preocupantes do relato envolve uma situação observada por Thais e pelo namorado durante a preparação dos saltos.

Segundo ela, dois funcionários estariam realizando um reparo improvisado em uma das cordas utilizadas na atividade.

“Eu e meu namorado observamos dois funcionários arrumando uma corda do lado esquerdo. Vimos que eles estavam remendando a corda com silver tape, e aquilo não parecia seguro.”

A empresária afirma ainda que os trabalhadores teriam utilizado um pedaço de outra corda para realizar o reparo.

“Também vimos que eles cortaram um pedaço de outra corda para remendar. Não entendemos o motivo e pedimos para que não utilizassem mais aquela corda.”

De acordo com ela, após os questionamentos, o equipamento não voltou a ser usado.

“Ficamos com medo de que fosse uma corda que pudesse arrebentar. Eles cochichavam entre si, mas não explicavam o que estava acontecendo.”

“Foi falta de atenção”, afirma

Questionada sobre a principal linha de investigação, que aponta para uma possível falha no procedimento de segurança, Thais criticou a atuação da equipe responsável pelo salto.

“Sinceramente, acho totalmente estranho. Como não observaram que ela estava sem corda? São várias pessoas acompanhando o procedimento.”

Ela também citou a quantidade de profissionais envolvidos na operação.

“Há instrutores responsáveis pelo salto, uma pessoa para verificar o procedimento e outra para colocar os equipamentos. Para mim, foi pura falta de atenção.”

A empresária lamentou a morte da jovem e afirmou que o caso levanta dúvidas sobre os protocolos adotados pela empresa.

“Eles dizem que realizam isso frequentemente e que prezam pela segurança. Mas como alguém pode dizer que preserva a segurança quando acontece uma situação dessas? A Eduarda tinha uma vida inteira pela frente.”

Entenda o caso

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após participar de um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, no último sábado (13).

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que a jovem é lançada da estrutura. Segundo informações apuradas pela Polícia Militar, a principal linha de investigação aponta para uma possível falha no procedimento de segurança.

Testemunhas relataram que a corda responsável por proteger a participante não teria sido conectada corretamente antes do salto, o que pode ter provocado uma queda de aproximadamente 40 metros.

Após o acidente, equipes de resgate foram acionadas, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.

Três homens responsáveis pela atividade tiveram a prisão em flagrante ratificada pela Polícia Civil e foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.

Outras três pessoas foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos e posteriormente liberadas. O caso segue sob investigação.

Leia mais no Bacci Notícias:

Vídeos curtos

Mais lidas