O governador Jorginho Mello anunciou que acionará a PGR contra o presidente Lula por declarações sobre racismo em Santa Catarina. O governo estadual considera que a fala atingiu a honra da população catarinense, enquanto o Planalto ainda não comentou o caso.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), anunciou que apresentará uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após declarações feitas durante visita do petista ao estado.

(Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado)
O governador afirma que o presidente cometeu xenofobia ao associar Santa Catarina ao racismo durante um discurso realizado em Itajaí.
Leia também:
Acusação de xenofobia
A manifestação de Lula ocorreu na última sexta-feira (26), quando o presidente criticou iniciativas relacionadas à política de cotas raciais no estado. Durante o pronunciamento, ele afirmou que não se pode permitir que o racismo prevaleça em Santa Catarina e defendeu a igualdade de tratamento entre todos os brasileiros.
“Não pode permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não pode permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas do senso de grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre. A gente é um estado brasileiro e todo mundo tem que ser tratado igual”, declarou o presidente.
Lula fez comparação com o nazismo
Na sequência, Lula fez referência ao nazismo ao comentar o que classificou como uma ideia de “hegemonia branca”.
“Não tem um cara que é branco e é melhor do que o que é negro, o cara que é nordestino é pior do que o do Sul do país. Que história que é essa? Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou. A gente não pode permitir essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país. Na verdade, isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância”, afirmou.
Acesse o canal BNTV no Youtube
Governador acusa xenofobia
Jorginho Mello reagiu às declarações e afirmou que o presidente extrapolou os limites do debate político ao, segundo ele, atingir a honra da população catarinense. O governador interpreta a fala como uma generalização que associa os moradores do estado ao racismo e ao sentimento de superioridade em relação a outras regiões do país.
“Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso”, declarou.
Denúncia na PGR
Segundo o governador, a representação será protocolada na PGR na próxima segunda-feira (29). Caberá ao órgão analisar o pedido e decidir se há elementos para adoção de alguma medida.
Até o momento, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República não se pronunciou sobre a iniciativa anunciada pelo governador.
Leia mais no Bacci Notícias: