O influenciador Leonardo Marcondes tornou-se alvo de uma investigação do Ministério Público do Estado de São Paulo, na última quinta-feira (25), após publicar vídeos nas redes sociais afirmando que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto.
O influenciador Leonardo Marcondes tornou-se alvo de uma investigação do Ministério Público do Estado de São Paulo, na última quinta-feira (25), após publicar vídeos nas redes sociais afirmando que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto.

Influenciador que disse que ‘pobres não deveriam votar’ vira alvo de investigação (Foto: Reprodução/Redes sociais)
A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital e sustenta que o influenciador promoveu discurso de ódio contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica por meio de publicações feitas em seu perfil no Instagram.
Vídeo gerou repercussão nas redes sociais
Em um vídeo publicado em 26 de dezembro de 2025, Leonardo Marcondes afirma que “pobres não deveriam votar” e faz outras declarações relacionando a condição financeira à capacidade de tomar decisões.
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Segundo o influenciador, pessoas em situação de pobreza não teriam condições de escolher representantes políticos por, segundo ele, não conseguirem administrar a própria vida financeira.
“Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”, declarou Marcondes na internet.
As declarações repercutiram nas redes sociais e motivaram a atuação do Ministério Público.
MP aponta discurso de ódio e aporofobia
De acordo com o promotor Ricardo Manuel Castro, o conteúdo divulgado associa a pobreza à incapacidade e à irresponsabilidade, caracterizando uma conduta discriminatória conhecida como aporofobia, termo utilizado para definir preconceito ou hostilidade contra pessoas pobres.
Na ação, o Ministério Público afirma que as publicações reforçam estereótipos e atentam contra princípios constitucionais, como a igualdade, a dignidade da pessoa humana e o sufrágio universal.
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Ministério Público pede retirada do perfil e indenização
Entre os pedidos apresentados à Justiça, o MPSP solicita:
- a retirada do perfil de Leonardo Marcondes do Instagram, onde reúne mais de 1,4 milhão de seguidores;
- a proibição de novas publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas pobres;
- o pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, valor que deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Segundo o Ministério Público, a investigação teve início após informações encaminhadas pelo Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância, que identificou publicações com teor discriminatório.
Defesa afirma que ainda não foi notificada
Em nota enviada ao g1, a defesa de Leonardo Marcondes informou que ainda não foi citada oficialmente nem teve acesso aos autos do processo. Os advogados afirmaram que só irão se manifestar após serem formalmente notificados pela Justiça.
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