João de Deus, médium brasileiro, foi acusado por centenas de mulheres de abuso sexual durante atendimentos espirituais. Condenado a cerca de 489 anos de prisão, cumpre atualmente prisão domiciliar em Goiás por idade e problemas de saúde.
A Justiça de Goiás determinou a redução de pena contra o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, de 83 anos. A nova decisão tem condenação inferior à metade da sentença inicial.

Médium João de Deus (Foto: Reprodução / TV Anhanguera)
Conforme reavaliações judiciais, foi determinada a redução do período em que o condenado terá que cumprir cárcere. Inicialmente de cerca de 500 anos, agora para aproximadamente 200 anos de prisão após revisão em segunda instância.
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Condenação de João de Deus
Os crimes cometidos por João de Deus refletem um dos maiores episódios de abuso sexual registrados na história do Brasil.
Entre os crimes estão denúncias de estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.
As vítimas eram atraídas para atendimentos espirituais no município de Abadiânia, no interior de Goiás, onde o suposto médium realizava os abusos.
Redução de pena
A sentença original contra João de Deus chegava a 489 anos de prisão. Após julgamento de recursos apresentados pela defesa do médium, a Justiça acatou reduções de pena, chegando pouco mais de 214 anos de reclusão, além de 1 anos de detenção.
As condenações se referem a um total de 18 ações penais julgadas, envolvendo dezenas de vítimas.
Relembre o caso de João de Deus
João de Deus ficou conhecido internacionalmente por supostos tratamentos espirituais realizados em Abadiânia, onde dizia incorporar entidades para curar doenças. Durante décadas, atraiu milhares de pessoas, incluindo estrangeiros, e construiu uma imagem de líder religioso e curandeiro.
Essa reputação começou a ruir em dezembro de 2018, quando vieram a público denúncias de abuso sexual feitas por mulheres que afirmavam ter sido atacadas durante atendimentos espirituais. As acusações rapidamente se multiplicaram. Em poucos dias, mais de 200 relatos foram registrados, número que posteriormente chegou a centenas de denúncias envolvendo vítimas brasileiras e estrangeiras.
Segundo as investigações, João de Deus utilizava o momento dos atendimentos para isolar pacientes, alegando que elas haviam sido “escolhidas” para um tratamento especial. Nesse contexto, diversas mulheres relataram estupros, abusos e violação sexual mediante fraude, prática em que a vítima é enganada sob pretexto de tratamento espiritual.
Prisão em 2018
O médium foi preso preventivamente em dezembro de 2018, após ordem da Justiça de Goiás. Desde então, passou a responder a uma série de processos criminais. Ao longo dos anos, foi condenado em diversas ações. Em 2023, novas sentenças elevaram sua pena total para cerca de 489 anos de prisão.
As decisões judiciais consideraram crimes cometidos entre 2010 e 2017, com dezenas de vítimas formalmente reconhecidas. Ao todo, o médium foi denunciado por crimes envolvendo pelo menos 66 mulheres, embora o número de relatos seja ainda maior, com outros casos arquivados por prescrição ou falta de provas.
Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar em Anápolis (GO) desde 2021, por decisão judicial baseada na idade avançada e em problemas de saúde. Ele usa tornozeleira eletrônica e permanece sob monitoramento.
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