Com base na reportagem de Paulo Motoryn no Intercept Brasil, a PF avaliou que Bolsonaro apresentava risco concreto de fuga após violar a tornozeleira, motivando sua prisão preventiva. Entre as hipóteses investigadas, entrou no radar o aeródromo privado da família Piquet, a 200 metros do condomínio do ex-presidente. A pista pode ter sido cogitada como eventual rota de evasão, embora não haja prova de uso ou plano concreto.
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes após a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, tornou incontornável uma pergunta central: quais poderiam ter sido os possíveis planos de fuga que levaram a Polícia Federal a concluir haver risco concreto de evasão?
De acordo com informações, divulgadas pelo jornalista Paulo Motoryn, do Intercept Brasil, a PF passou a revisitar hipóteses de possível evasão. Uma delas, considerada pelos investigadores, foi o aeródromo privado da família Piquet, localizado a menos de 200 metros do condomínio Solar de Brasília, onde Bolsonaro mora.
De acordo com o Intercept, moradores da região já haviam especulado sobre essa possibilidade em 2025, mas a PF descartou a hipótese na época. Com a prisão preventiva, porém, a pista voltou ao radar, desta vez como elemento examinado formalmente pela corporação.
O aeródromo é registrado na ANAC como pista privada, possui 590 metros de extensão asfaltada, iluminação para operação diurna e noturna, e é adequado para monomotores, bimotores leves e helicópteros — aeronaves com grande potencial de decolagem discreta. A operação é conduzida por Geraldo Piquet Souto Maior, irmão de Nelson Piquet, ambos apoiadores de Bolsonaro.

Documento obtido pelo Intercept Brasil nos dados da Agência Nacional de Aviação Civil
Segundo a apuração de Motoryn, a PF avalia realizar diligências no local, analisar imagens, levantar registros e pode ouvir Geraldo Piquet caso surjam elementos que justifiquem medidas formais.
O Intercept reforça que não há prova de tentativa concreta de uso do aeródromo, apenas a necessidade de verificar se a estrutura poderia ter sido considerada no contexto da fuga.
A reportagem lembra ainda a relação próxima entre Bolsonaro e a família Piquet, o que contribuiu para que a pista entrasse no escopo de investigação.
No momento, segundo o Intercept, a PF segue analisando documentos, imagens e estruturas que possam ter sido cogitadas como rotas de fuga, sempre no contexto que levou à prisão preventiva por risco real de evasão.
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