Cientistas descobriram um ponto vermelho no espaço, que na verdade, é um buraco negro. O objeto teria cerca de 100 vezes o tamanho do Sol e pode ajudar no entendimento de seu desenvolvimento.
Com ajuda do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês), cientistas identificaram um objeto espacial, que existe desde o meio-dia cósmico, que teria ocorrido aproximadamente 4 bilhões de anos após o Big Bang.
Um buraco negro é enorme e tem cerca de 100 vezes o tamanho do Sol. A descoberta pode auxiliar no entendimento de como tal objeto pode se desenvolver com o decorrer do tempo. Na última quinta-feira (30), foram publicados os resultados da pesquisa, na revista Astronomy & Astrophysics.
Através do James Webb, que consegue observar o Universo em luz infravermelha, os astrônomos localizaram mais um ponto vermelho, dentre os diversos identificados pelo telescópio. Por conta de seu grande tamanho, o buraco negro foi nomeado de BiRD, abreviação de “Big Red Dot” (em português, grande ponto vermelho).
A luz emitida pelo buraco negro não vem de si mesmo, pois por “se alimentarem” de uma grande quantidade de matéria, os materiais e jatos que são excretados acabam criando um objeto extremamente brilhante ao seu redor, batizado de quasar, podendo ser visto a uma enorme distância da Terra.
Com o estudo da região do quasar J1030+0524 (J1030), os pesquisadores conseguiram identificar o BiRD. Antigas investigações acabaram por não identificar o objeto, mesmo com imagens por raio X, sendo preciso ter auxílio do James Webb para revelar sua existência.
“A partir das imagens calibradas, foi desenvolvido um catálogo das fontes presentes no campo. Foi aí que notamos o BiRD: um objeto brilhante, pontual, que, no entanto, não era uma estrela e não constava nos catálogos de raios X e rádio existentes”, relatou Federica Loiacono, principal autora do estudo.
Comportamento peculiar do buraco negro
Entretanto, o fato que mais chamou atenção dos pesquisadores foi o comportamento peculiar do BiRD. Em geral, quando “se alimentam”, os buracos negros geram um grande número de radiação de raios X, porém, brilha apenas no infravermelho. A principal hipótese é de que o objeto esteja coberto por uma densa camada de poeira e gás, bloqueando os raios X e “permitindo a passagem” apenas da luz infravermelha.
O estudo, ainda, pode dar ainda mais pistas da forma de que buracos negros supermassivos evoluem com o passar do tempo.
“O JWST abriu uma nova fronteira na astrofísica extragaláctica, revelando objetos cuja existência nem seques suspeitávamos, e estamos apenas no começo desta aventura”, disse a autora.
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