Homem preso injustamente por mais de 22 anos recebe indenização de R$ 120 milhões. Condenação por “assassinato satânico” foi anulada após falhas e provas falsas.
Um homem recebeu uma indenização milionária após passar mais de duas décadas preso injustamente nos Estados Unidos.

Jeffrey Clark (Foto: Reprodução)
Na quarta-feira (06), a Justiça determinou o pagamento de US$ 24,35 milhões, cerca de R$ 120,44 milhões, a Jeffrey Clark, que passou 22 anos e meio encarcerado após uma condenação posteriormente anulada.
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Homem passou 22 anos preso
“Finalmente sinto que posso acordar de um pesadelo de 34 anos”, declarou Jeffrey após vencer o processo civil movido contra autoridades envolvidas na investigação e no julgamento do caso.
Jeffrey foi condenado em 1995, ao lado de Keith Hardin, pelo assassinato de Rhonda Sue Warford, de 19 anos, em Louisville, no estado do Kentucky.
Assassinato satânico
A jovem, que namorava Keith, foi encontrada morta em um campo, com diversos ferimentos provocados por faca, após desaparecer na madrugada de 2 de abril de 1992. O crime ganhou repercussão nacional nos Estados Unidos e ficou conhecido como “assassinato satânico” devido à linha investigativa adotada pelas autoridades na época.
As suspeitas recaíram sobre Jeffrey e Keith depois que a mãe da vítima afirmou que a filha mantinha contato com pessoas ligadas ao satanismo. A polícia encontrou uma impressão digital do homem no carro da jovem, o que levou à prisão do acusado.
Ele alegava, porém, que não via Rhonda desde 1991.
Associação de Jeffrey ao caso
Durante as investigações, policiais apreenderam objetos na casa de Keith, incluindo um pano ensanguentado e fragmentos de vidro. Os promotores sustentaram que o material seria utilizado em rituais satânicos.
No julgamento, uma ex-namorada de Jeffrey afirmou que ele participava dessas práticas e possuía uma tatuagem de cruz invertida, informação posteriormente desmentida.
Um detento também declarou que Jeffrey teria confessado o crime dentro da prisão.
Participação forjada no crime
Outro ponto central da acusação foi a suposta compatibilidade entre um fio de cabelo encontrado no corpo da vítima e o de Keith Hardin. Anos depois, testes de DNA comprovaram que a informação era falsa. As condenações dos dois foram anuladas em 2016.
A defesa também apontou irregularidades envolvendo o ex-legista Bill Adams, acusado de alterar a data da morte da vítima com o uso de corretivo líquido para enfraquecer o álibi apresentado por Jeffrey.
Homem foi inocentado
Segundo especialistas, Rhonda provavelmente morreu entre os dias 4 e 5 de abril, e não em 2 de abril, como sustentava a acusação.
O advogado Elliot Slosar afirmou que o cliente perdeu grande parte da vida atrás das grades. “Jeff perdeu a sua vida e não foi solto até meados dos 40 anos”, declarou.
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