Operação do Ministério Público de São Paulo aponta que Deolane Bezerra teria atuado em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do PCC, incluindo familiares de Marcola. Investigação cita depósitos fracionados, empresas de fachada e movimentações milionárias

Deolane Bezerra
Deolane Bezerra

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra voltou ao centro de uma grande investigação policial após o Ministério Público de São Paulo apontar uma suposta ligação financeira entre ela e familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado líder da facção criminosa PCC.

Deolane Bezerra é transferida para presidio no interior de SP (Foto: Reprodução)

Segundo o Inquérito Policial nº 63/2022, conduzido pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau, a influenciadora teria integrado uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro do crime organizado. A investigação levou à prisão de Deolane e de outros investigados nesta quinta-feira (21).

De acordo com os investigadores, a conexão entre a empresária e o núcleo familiar de Marcola não seria apenas indireta, mas faria parte de uma engrenagem financeira criada para ocultar recursos de origem ilícita.

Como a polícia aponta a ligação entre Deolane e a família de Marcola

O relatório policial coloca Deolane Bezerra no mesmo núcleo investigativo que parentes próximos de Marcola, entre eles Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão do chefe da facção, além de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho.

A Polícia Civil afirma que o esquema utilizava empresas, contas bancárias e movimentações financeiras fracionadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Segundo o inquérito, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau funcionaria como empresa de fachada para lavagem de capitais. Os recursos passariam por diversas contas até chegarem aos destinatários finais.

Entre as contas monitoradas pela investigação estavam duas ligadas a Deolane Bezerra.

Depósitos fracionados e movimentações suspeitas

A investigação aponta que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil, técnica conhecida como “smurfing”, usada para evitar alertas automáticos do sistema financeiro.

Segundo o Ministério Público, o operador financeiro Everton de Souza, conhecido como “Player”, seria responsável por indicar contas utilizadas para os chamados “fechamentos” financeiros da organização.

Além disso, quase 50 depósitos, somando cerca de R$ 716 mil, teriam sido feitos para empresas ligadas à influenciadora por uma suposta instituição de crédito considerada suspeita pelos investigadores.

A polícia afirma que não encontrou comprovação de prestação de serviços ou contratos que justificassem as transferências milionárias.

Operação teve origem em bilhetes apreendidos em presídio

As investigações começaram em 2019, após a apreensão de manuscritos e bilhetes com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Os documentos mencionavam ordens internas da facção, movimentações financeiras e até referências a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado no levantamento de informações para integrantes da organização criminosa.

A partir disso, a polícia chegou à empresa Lopes Lemos Transportes, apontada como braço financeiro da facção para lavagem de dinheiro.

Posteriormente, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador da organização, ampliou a investigação e revelou supostas conexões financeiras com Deolane Bezerra.

Justiça determinou bloqueio milionário

Com base nos indícios apresentados pela investigação, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões ligados à influenciadora.

Os investigadores afirmam que a movimentação patrimonial de Deolane, incluindo aquisição de bens de alto padrão e circulação de grandes quantias, seria utilizada como uma “camada de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Além de Deolane, também foram alvos da operação familiares de Marcola, operadores financeiros, contadores e pessoas próximas ao grupo investigado.

Defesa e andamento do caso

Até o momento, a defesa de Deolane Bezerra nega envolvimento da influenciadora com atividades criminosas. A investigação segue em andamento e os suspeitos ainda deverão responder às acusações na Justiça.

LEIA MAIS:

O caso ganhou repercussão nacional devido à dimensão financeira da operação e pela suposta ligação entre uma das maiores influenciadoras do país e a cúpula da principal facção criminosa do Brasil.

Leia mais no BacciNotícias:

Vídeos curtos

Mais lidas